Page 38 Manual de rotação de opióides
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MANUAL DE ROTAÇÃO DE OPIÓIDES
G. Quais são os riscos associados à rotação de opióides?
Pelo que já foi referido, julgamos ter ficado claro que a rotação de fármacos
opióides tem vantagens por vezes muito significativas para os doentes que de-
les necessitam para o controlo da sua dor. No entanto, não faltam também os
alertas para os riscos associados a esta estratégia de otimização do controlo da
dor e dos efeitos adversos. Em Setembro de 2002 a IASP, através de um dos
seus “Pain - Clinical Updates”, chama a atenção para o facto da “rotação de
um opióide para outro poder transformar um doente com dor de «resistente a
opióide» em «respondedor a opióide» mas também que, se deve olhar para as
tabelas de equivalência opióide no máximo como “linhas de orientação frágeis,
válidas sobretudo para evitar erros grosseiros de sub ou sobredosagem” 31
Webster e Fine , na sua revisão das práticas clínicas de rotação opióide e ris-
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cos associados de toxicidade, enfatizam que os “clínicos têm «aceite» o uso
de tabelas de conversão de opióides, as quais são inerentemente defeituosas
quando usadas no contexto de rotação de opióides, o que pode levar a resul-
tados fatais”. De facto, nenhuma tabela de equivalência entre opióides pode
ser utilizada acriticamente e, ao rodar um opióide por outro, deve-se sempre
recordar a possibilidade dos principais factores de erro já aqui referidos:
– Tolerância cruzada incompleta entre opióides
– Possibilidade de polimorfismos genéticos que alterem significativamente
a resposta a um dos opióides
– Falência de via de administração ou de metabolização-eliminação.
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