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todo o período pós-operatório, quando se encontram em recuperação da sua
autonomia fisiológica, como a consciência, integridade neurológica, homeos-
tasia e normotermia.
É também nesta fase que os doentes referem mais dor e que, muitas vezes,
os anestesistas têm tendência para ser mais defensivos na administração de
analgésicos, com receio de interferirem na recuperação do doente e de coloca-
rem em risco a sua segurança.
Por isso mesmo, as UCPA vieram conferir ao tempo pós-operatório imedia-
to a confiança que o mesmo requer, e transformaram-se no local de eleição para
os grandes investimentos analgésicos a fazer nesse período. A vigilância contí-
nua de enfermeiros num adequado ratio e a monitorização a vários níveis, como
a hemodinâmica e a respiratória, permitem-no.
A saída ou alta de um doente da UCPA deverá ser determinada por critérios
clínicos de estabilidade, seja ela do grau de consciência, cardiológica, respira-
tória ou analgésica e deve levar em consideração as condições do destino do
doente.
O mais frequente é as UCPA necessitarem de garantir rápidas rotações de
doentes, de forma a irem disponibilizando espaço para novos doentes operados,
uma vez que a maior parte delas não tem capacidade para fazerem permanecer
todos os doentes durante largas horas ou até ao dia seguinte.
Nestes casos, o ideal é que exista um segundo nível de cuidados (Fig. 3) no
próprio serviço cirúrgico a que o doente se destina, do tipo de uma enfermaria
de doentes operados que possa assegurar metodologias de acompanhamento e
vigilância mais apertadas e mais próximas de unidades de cuidados intermédios
que as vulgares enfermarias de internamento, com melhor ratio de enfermeiros
e monitorização mínima considerada indispensável (monitor de ECG, TA auto-
mática, oximetria de pulso, etc.).
Havendo este segundo nível de cuidados, torna-se mais fácil manter, por
períodos alargados, técnicas não convencionais de analgesia de maior agressi-
vidade, como a PCA e a via epidural, utilizando opióides e/ou anestésicos locais
e podendo dar continuidade, em toda a sua plenitude, aos programas da UDA,
desde os protocolos ao registo obrigatório dos parâmetros vigiados.
Uma forma possível de estabelecer o percurso dos doentes operados, levan-
do em consideração o seu estado físico e a necessidade de cuidados que exibe,
será a que a figura 3 documenta e que assenta no princípio de que os doentes
que, previamente, pela existência de patologia associada grave, necessitam de
pós-operatório em UCI, serão transportados imediatamente para esse local
assim que a intervenção cirúrgica termine, fazendo curto-circuito à UCPA e à
própria organização analgésica do pós-operatório.
Todos os outros terão uma passagem obrigatória pela UCPA, mais curta ou
mais longa, conforme o tempo de recuperação que necessitarem.
Não havendo padrões rígidos na determinação de qual o tempo que os do-
entes deverão demorar até total recuperação de todas as funções exigidas nos
critérios de alta para abandonarem com segurança as UCPA, sugerimos inter-
valos de 2 h para os aferir.
Desta metodologia horária resulta que, em princípio, todos os doentes
que, até ao máximo de 2 h, recuperarem integralmente as funções fisiológi-
cas e a estabilidade álgica, poderão ir directamente para uma enfermaria
tradicional.
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