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Dor (2002) 10 G. Miranda: Meet the experts: Revisión: la termografía infrarroja en los síndromes de dolor


Editorial I


O 4º Dia Nacional de Luta Contra a Dor



José Manuel Caseiro




Q uando este número da Revista Dor chegar às assistirmos a uma primeira e efectiva medida ou acção
no sentido de se começarem a cumprir alguns dos
mãos dos nossos leitores, já se cumpriu, no dia
objectivos e recomendações que são enunciados na-
14 de Junho, o 4º Dia Nacional de Luta Contra
a Dor. Digo “cumpriu” e não “comemorou”, por- quele documento, que, de resto, se propõe atingir
que a comemoração, essa, terá sido este ano na véspe- ambiciosas metas até ao ano de 2007.
ra, de forma a permitir algo mais destinado ao grande Penso que a Comissão de Acompanhamento terá já
público, aproveitando-se o Feriado da Cidade de Lisboa. reunido uma vez, embora não tenha sido ainda divulga-
Mas o que pretendo verdadeiramente fazer hoje, ao da qualquer iniciativa, mas o facto de um grande
escrever sobre esta efeméride, é reflectir – com preocu- número dos seus elementos – nomeadamente alguns
pação, diga-se – sobre o que tem de facto representa- Presidentes das ARS – se terem feito representar, deixa-
do a comemoração deste dia. me apreensivo e interessado em conhecer respostas a
Quando em 1999 o comemorámos pela primeira vez, questões que passo a colocar:
tivemos, para além da presença do Director Geral da 1. Porquê fazerem-se representar? Se não tinham disponi-
Saúde, a simbólica e importantíssima presença da Se- bilidade para pertencerem à Comissão ou se essa
nhora Ministra da Saúde, Dra. Maria de Belém Roseira actividade não era suficientemente importante para ser
(onde estaríamos ainda hoje, sem o empenho dela), que, desempenhada pelos próprios, teria sido mais natural a
meses antes, tinha nomeado um Grupo de Trabalho para nomeação efectiva das pessoas mais adequadas.
a concepção de um Plano Nacional de Luta contra a Dor. 2.Por quem se fizeram representar? Tenho tido algu-
Recordo-me que, para essa primeira comemoração, fo- mas informações contraditórias sobre vários nomes
ram convidados todos os Directores Hospitalares e que, que terão estado presentes na primeira reunião e
na assistência, apenas se encontravam dois ou três. outros que poderão ainda surgir e que, a confirma-
No ano seguinte, com o Grupo de Trabalho em pleno rem-se, poderão determinar a presença naquele
labor, o Dia Nacional foi comemorado na Cidade do Porto, grupo de pessoas que manifestaram discordância
com uma sessão científica em torno da problemática das na forma como o Plano foi feito ou que, por actua-
lombalgias e também com a participação de um represen- rem noutras áreas da actividade clínica, nem sem-
tante do Director Geral da Saúde, tendo tido a agradável pre se identificaram com os objectivos dele.
presença de mais de 80 pessoas, embora novamente com 3. Que posição deverá a APED assumir perante esta
uma macissa ausência dos responsáveis hospitalares. realidade? Aceitar qualquer nome que surja por indica-
O 3º ano foi comemorado com o mais importante ção meramente pessoal dos que se quiseram fazer
congresso jamais realizado pela APED, o DOR 2001, na representar ou ter uma palavra a dizer na indicação dos
cidade de Espinho, numa cerimónia que prometia a mesmos? Tudo aponta para que, dos 26 colaboradores
presença da Senhora Ministra da Saúde e a que se efectivos que se envolveram na elaboração do mais
seguiria um debate em torno da temática da especiali- importante documento sobre Dor que jamais se fez em
zação em Algologia/Medicina da Dor. A Senhora Minis- Portugal, apenas tenhamos a tranquilizadora (e, a meu
tra, Dra. Manuela Arcanjo, faltou e o debate foi, em meu ver, indispensável) presença do Dr. Alexandre Diniz.
entender, um fiasco, numa altura em que estava já Numa altura em que existe a intenção, já votada em
aprovado, por Despacho Ministerial de 26 de Março de Assembleia Geral da APED, de se caminhar para a
2001, o Plano Nacional de Luta Contra a Dor. atribuição de uma Competência em Terapêutica da Dor
Quatro meses depois, aquando da comemoração portu- (não entendi bem com que finalidade, embora tivesse
guesa da Semana Europeia Contra a Dor, foi finalmente visto muita gente interessada) sería deplorável assistir-
apresentado pelo Director Geral da Saúde o Plano Nacional mos dentro de algum tempo a uma profusão de médi-
de Luta Contra a Dor, com uma tiragem de 50.000 exem- cos com “Competência em Dor”, sem ter havido a
plares e uma estranha distribuição que continua a justificar correspondente criação de novas Unidades, o harmo-
que muita gente ainda não tenha tido acesso a ele. A nioso desenvolvimento de algumas das já existentes
aceitação foi, no entanto, muito favorável por parte dos que nem o incremento da capacidade formativa indispensá-
o leram. Poucos dias depois, era anunciada a formação de vel à melhoria das condições assistenciais do SNS.
uma Comissão de Acompanhamento do Plano. Assim sendo, que significado se poderá atribuir a
Na prática, após 3 anos, 4 festejos, um Plano e uma uma bem sucedida corrida no passado dia 13: o núme-
Comissão de Acompanhamento, o que é que já mudou ro de comparências? O número de desistências? Os
de facto? Nada. números da assistência? O enfoque dos media? DOR
Dir-me-ão que ainda decorreu pouco tempo e eu Se for apenas isso, comece-se já a planear o 5º Dia
perguntarei quanto tempo necessita ter passado para Nacional de Luta Contra a Dor. 3
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