Page 40 Dor Neuropática
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Alguns doentes, além das cefaleias, referem apenas disestesia ou
parestesias no território de um ou mais nervos cranianos. O tratamento
das cefaleias e das nevralgias orofaciais passam sobretudo pela si-
tuação oncológica ou complicação subjacente, e terá terapêutica espe-
cífica. Deve ser complementada com terapêutica medicamentosa, no-
meadamente corticóides, anti-inflamatórios, opiáceos, antiepilépticos,
e antidepressivos. Nas plexopatias, nomeadamente na braquial por in-
vasão neoplásica, a dor é o sintoma inicial em 80% dos casos, geralmen-
te localizada ao ombro e com irradiação ao braço, ocorrendo pareste-
sias ou disestesias, e posteriormente sintomas motores.

Os meios imagiológicos mais úteis no diagnóstico das plexopatias
são a TC e o PET (com isótopos de hidroxiglucose). A plexopatia de
origem neoplásica envolvendo o plexo lombo-sagrado deve-se em 70%
dos casos a compressão por tumores localmente invasivos (próstata,
recto, tumores ginecológicos), e em que o sintoma inicial é a dor inten-
sa localizada à região glútea, inguinal, anca e coxa. Pode ocorrer pare-
sia crural progressiva. A terapêutica será o tratamento da doença on-
cológica (radioterapia e quimioterapia e, em casos específicos, cirurgia)
quando é essa a causa da lesão, quer do plexo braquial quer do plexo
lombo-sagrado. Como terapêuticas adjuvantes temos os anti-inflamató-
rios não esteróides, opióides, e eventualmente os corticóides.
Os bloqueios paravertebrais não são muito eficazes atendendo à exten-
são das lesões. Há também a salientar as síndromas álgicas neuropáticas
relacionadas com as terapêuticas pós-cirurgia (mastectomia, amputação do
membro, amputação do recto, esvaziamento ganglionar cervical, toracoto-
mia, etc.), pós-radioterapia (plexopatias, mielopatias) e da quimioterapia as
polineuropatias. As síndromas álgicas paraneoplásicas que não têm qualquer
relação com as terapêuticas aparecem embora raramente em doentes onco-
lógicos. É um sinal de alerta para a pesquisa da doença neoplásica.


Síndromas álgicas neuropáticas em doentes
com SIDA


Segundo K. Portenoy, nos doentes com SIDA há a considerar: a poli-
neuropatia por VIH/SIDA, que é fundamentalmente sensitiva, e a mie-
lopatia. Em relação às infecções oportunistas temos as poli-radiculopa-
tias múltiplas causadas pelos herpes zoster, citomegalovírus e a tabes
dorsal. Quanto às complicações por neoplasias há a referir a compressão
do nervo no sarcoma de Kaposi e as polineuropatias pelo linfoma.

As polineuropatias ocorrem em cerca de 50% dos doentes com
SIDA. Nas poli-radiculopatias o agente causal é, em geral, o citomega-


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