Page 32 Volume 18 - N.4 - 2010
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Dor (2010) 18

Síndrome Dolorosa Regional Complexa:


O Desafio no Controlo Álgico


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Hugo Martins e Teresa Ferreira 2






Resumo
Os autores descrevem um caso clínico de síndrome dolorosa regional complexa (SDRC), cuja evolução
clínica condicionou diferentes estratégias terapêuticas. A neuromodulação medular neste paciente foi uma
opção terapêutica eficaz, após o fracasso dos tratamentos anteriores.

Palavras-chave: Dor. Síndrome dolorosa regional complexa. Neuromodulação.


Abstract
The authors present a CPRS (complex regional pain syndrome) case report, whose clinical evolution implied
different therapeutic strategies. In this patient, spinal cord stimulation was an efficient treatment, once the
previous therapeutics had failed. (Dor. 2010;18(4):31-2)
Corresponding author: Hugo Martins, hugofragamartins@gmail.com
Key words: Pain. CPRS. Neurostimulation.



Introdução Submetido a cirurgia de urgência, para ampu-
A SDRC é uma síndrome dolorosa em que a fi- tação 1/3 distal do antebraço direito, sob aneste-
siopatologia ainda não está totalmente esclarecida, sia geral, é prescrita analgesia no pós-operatório
compreendida e muitas vezes apresenta uma evo- pela Unidade de Terapêutica de Dor iniciando
lução clínica imprevisível. É muitas vezes resistente carbamazepina.
a diferentes abordagens terapêuticas e a evolução Março de 1997, na consulta de Terapêutica de
natural nem sempre é favorável. O diagnóstico da Dor, refere dor no coto com trigger point, sem dor
SDRC é baseado em sinais e sintomas derivados ou sensação de membro-fantasma, alterações
da história clínica e exame físico. A abordagem discretas do humor.
farmacológica da dor e reabilitação física da fun- Efectua infiltrações na trigger zone com anes-
ção dos membros são os principais pilares da te- tésico local (AL). Inicia amitriptilina e ajustes
rapia e deve ser iniciado o mais precoce possível. posológicos dos fármacos (carbamazepina e
Se, no entanto, não ocorrer melhoria da função do amitriptilina).
membro e a manutenção de dor severa persis- Em Maio de 97, melhorado com reaparecimen-
tente, deve-se considerar a utilização de técnicas to posterior da sintomatologia álgica em Julho
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invasivas para o controlo da situação álgica . de 97, sendo efectuado infiltração plexo axilar
(AL e corticóide) e posteriormente infiltrações do
Caso clínico cubital e trigger point, apoio psicológico e ajustes
posológicos.
Homem, de 55 anos, agricultor, com acidente Situação dolorosa controlada apresenta episó-
profissional em Janeiro de 1997, resultando trau- dios de tonturas, reduzindo-se a carbamazepina
matismo e esfacelo, membro superior direito. em Novembro de 1997.
Antecedentes Pessoais (AP) síndrome canal Setembro de 1998 apresenta desde algumas se-
cárpico esq., cirurgia Julho de 90; discectomia manas agravamento da sintomatologia com carac-
L4/L5 à esq., cirurgia Julho de 1994. terísticas de dor neuropática SDRC tipo II (alodinia
e hiperalgesia, sudorese intensa no coto, diminui-
ção de temperatura no coto, palidez cutânea).
1 Interno de Anestesiologia Inicia, associada à carbamazepina, gabapenti-
2 Anestesiologista na com aumento progressivo, electro estimulação
Competência em Medicina da Dor OM
Unidade de Dor DOR
Hospital Central do Funchal, Madeira Artigo redigido em Dezembro de 2010
E-mail: hugofragamartins@gmail.com Revisto em Fevereiro de 2011 31
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