Page 6 Volume 18 - N.4 - 2010
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Musicoterapia na Unidade de Dor


do Hospital Garcia de Orta


Ana Filipe Garcez e Sílvia Monteiro







Resumo
As autoras fazem uma reflexão baseada na sua experiência de intervenção da musicoterapia em pacientes
da Unidade de Dor do Hospital Garcia de Orta (HGO).
Esta técnica complementar, não-farmacológica e não-invasiva, tem vindo a demonstrar uma grande eficácia
na diminuição da dor, stress, ansiedade, depressão e isolamento, tendo como principal objectivo o aumento
da qualidade de vida dos pacientes desta unidade.
Palavras-chave: Musicoterapia. Dor crónica. Stress. Qualidade de vida.



Abstract
The authors make a reflection based on their experience of music therapy intervention in patients from the
Hospital Garcia de Orta’s Pain Unit.
This complementary technique, which is non-pharmacological and non-invasive, has shown strong efficacy
in reducing pain, stress, anxiety, depression, and isolation, with the primary aim being to increase the quality of
life of patients in this unit. (Dor. 2010;18(4):5-9)
Corresponding author: Ana Filipe Garcez, anafgarcez@gmail.com; Sílvia Monteiro, silvia.brito.monteiro@gmail.com.

Key words: Music therapy. Chronic pain. Stress. Quality of life.




Introdução médicos, tais como a quimioterapia, bloqueios,
A utilização da musicoterapia, especificamente infiltrações e diatermia, entre outros, provocam
no contexto de Unidade de Dor, é uma prática dor, além de um grande desgaste psicológico,
pioneira a ser desenvolvida no HGO pelas auto- apreensão, resistência e revolta, perante a con-
ras. Este artigo visa, assim, introduzir uma nova dição clínica para a qual não existe, na maioria
forma de intervenção multimodal não-farmaco- das vezes, solução. Frequentemente, a identidade
lógica e não-invasiva, bem como a sua aplica- do paciente é absorvida pelo abismo da dor,
bilidade em meio hospitalar, como complemento havendo a necessidade de resgatar o seu lado
ao tratamento da dor crónica. saudável.
A intervenção da musicoterapia incide sobre Neste artigo será possível verificar que a mu-
aspectos adjacentes à dor, como o stress, ansie- sicoterapia tem a capacidade de desviar a aten-
dade, baixa auto-estima e isolamento; factores ção do paciente dos tratamentos descritos acima,
que influem directamente na recuperação e qua- facilitando a intervenção dos profissionais de
lidade de vida dos pacientes com dor crónica. saúde. A música surge pois, como um agente
A utilização dos elementos musicais, com a mascarador dos ruídos produzidos pelas máqui-
aplicação do princípio de identidade sonora (ISO), nas, humanizando o espaço hospitalar.
é, assim, colocada em prática com objectivos te-
rapêuticos que incorrem no recobro da qualidade Breve perspectiva histórica
de vida dos pacientes. Alguns dos procedimentos «A música foi, primeiramente, a linguagem
mágica do homem primitivo, na sua evocação
às divindades. Em seguida tornou-se ciência,
Mestrandas de Musicoterapia como as matemáticas e a astronomia, entre
Licenciadas em Ed. Musical outras. Durante muitos séculos permaneceu ora-
Instrumentistas (Violoncelo, Piano, Flauta transversal) ção e, finalmente, ao se misturar com o mundo
Hospital Garcia de Orta, SA
Almada, Portugal profano, tornou-se arte e divertimento, trazendo DOR
E-mail: anafgarcez@gmail.com considerável enriquecimento, por vezes, pura-
silvia.brito.monteiro@gmail.com mente material.» 1 5
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