Page 11 Volume 18 - N.4 - 2010
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Dor (2010) 18
Dor (2010) 18
Hipersensibilidade


aos Anti-Inflamatórios Não-Esteróides


Ângela Gaspar e Mário Morais de Almeida







Resumo
Os autores fazem uma revisão sobre a hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios
não-esteróides (AINE), focando aspectos relacionados com a prevalência, os grupos de risco, a patogénese,
as várias formas de apresentação clínica, o diagnóstico e as estratégias terapêuticas existentes, desde possíveis
alternativas, tais como os inibidores preferenciais e os inibidores selectivos da isoenzima 2 da cicloxigenase
(COX-2), até à dessensibilização à aspirina.
Palavras-chave: Hipersensibilidade medicamentosa. Anti-inflamatórios não-esteróides. Paracetamol. Inibidores
da COX-2. Meloxicam. Coxibes.


Abstract
The authors present an update about hypersensitivity to acetylsalicylic acid and other nonsteroidal
anti-inflammatory drugs, discussing prevalence, risk factors, pathogenesis, different clinical presentation
forms, diagnosis, and therapeutic strategies in these patients, from possible alternative drugs, such as
partially selective and selective cyclooxygenase-2 inhibitors, to aspirin desensitization. (Dor. 2010;18(4):10-18)
Corresponding author: Ângela Gaspar, angela.gaspar@sapo.pt

Key words: Drug hypersensitivity. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs. Paracetamol. Inhibitors of COX-2.
Meloxicam. Coxibs.




Introdução hipersensibilidade medicamentosa os sintomas
O AAS e outros AINE estão entre os agentes e/ou sinais são objectivamente reprodutíveis, de-
farmacológicos mais utilizados na prática clíni- sencadeados pela exposição ao fármaco, numa
ca, devido à eficácia que apresentam no trata- dose tolerada por indivíduos normais. Conside-
mento da dor e da inflamação. São utilizados ram-se reacções alérgicas aquelas em que se
como analgésicos, anti-inflamatórios, antipiré- demonstre um mecanismo imunológico subja-
ticos e em terapêutica profiláctica nas doenças cente, mediado por anticorpos ou por células, e
1
cardiovasculares. não-alérgicas todas as outras (Fig. 1) . A maioria
Devido à sua ampla e crescente utilização, das reacções de hipersensibilidade a AINE são
não é de estranhar que sejam uma das classes não-alérgicas, estando envolvidos mecanismos
de fármacos mais frequentemente implicada não-imunológicos, relacionados com a inibição
2-4
em reacções adversas, incluindo as reacções da via da cicloxigenase (COX) . No entanto, em
de hipersensibilidade, as quais podem variar alguns casos, mecanismos mediados por imu-
desde quadros de rinite, conjuntivite, broncos- noglobulina E (IgE) têm sido implicados, nome-
pasmo, urticária, angioedema a choque anafi- adamente em reacções imediatas a derivados
4,5
láctico. pirazolónicos .
De acordo com a actual classificação pro-
posta pelo Comité de Nomenclatura da World Prevalência e factores de risco
Allergy Organization (WAO), na reacção de A prevalência de hipersensibilidade a AAS/
AINE na população geral varia de 0,3 a 2,5% 3,6,7 ,
estando no entanto descritas prevalências supe-
riores em grupos de risco, nomeadamente em
doentes com asma ou urticária crónica. Num
Centro de Imunoalergologia,
DOR Hospital CUF Descobertas estudo epidemiológico efectuado em Portugal,
1,9% da população adulta em geral auto-reporta-
10 José de Mello Saúde, Lisboa va hipersensibilidade a AAS e/ou outros AINE .
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E-mail: angela.gaspar@sapo.pt
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