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Dor (2003) 11 G. Miranda: Meet the experts: Revisión: la termografía infrarroja en los síndromes de dolor
Editorial I
A ajuda ao doente com dor
José Manuel Caseiro
O perfume é inerente às flores, o óleo ao sésamo, o fogo à madeira,
assim como os sensatos reconhecem a alma no corpo.
(...da sabedoria indiana)
Que significa efectivamente ajudar um doente continuados e da ajuda de quem pode, deve e
com dor? sabe fazê-lo. A dor crónica é excelente exemplo
Poder-se-á reflectir nesta questão sem primei- dessa necessidade.
ro nos interrogarmos sobre quais as motivações A integração dos familiares passará assim,
ou o que pretendem ou desejam, efectivamen- por um lado, pela importância do doente ter ao
te, prestadores e receptores de cuidados e de seu lado os que lhe são próximos e, por outro,
ajuda? pela compreensão que os profissionais deverão
Rogers C, na sua obra La relation d’aide et ter das verdadeiras necessidades da família:
la psycotherapie (ESF, 1985), defende que a esta deverá sentir-se acolhida, desejada, de
relação entre ajudado e quem ajuda deverá as- forma a poder encontrar o seu verdadeiro lugar
sentar na confiança recíproca, e propõe que as no acompanhamento do seu familiar; deverá,
atitudes a desenvolver deverão pautar-se pela também, ser levada a confiar na competência
congruência (ser verdadeiro, autêntico, ele pró- e na atenção dos profissionais que cuidam do
prio), pela atenção calorosa (o calor humano), seu familiar doente, em particular no que diz res-
pela compreensão empática (capacidade de peito às respostas perante o sofrimento e a dor;
perceber o mundo interior do outro e sentir as deverá, ainda, ser devidamente informada sobre
suas emoções, sem ter que necessariamente se tratamentos, sintomas ou cuidados e consultada
identificar com ele) e pela permissividade (quem acerca dos hábitos e tradições familiares, antes
ajuda não deverá ser portador de atitudes mo- de se iniciar qualquer novo procedimento; de-
rais ou julgamentos). verá, finalmente, ser também emocionalmente
Aceitando esta postura, caberá ao profissional amparada, de forma a poder exprimir as suas
de saúde desenvolver aquelas atitudes, apos- angústias, lamentos, fraquezas, limitações e,
tando totalmente na integração dos familiares até, fadiga.
nas equipas de cuidados. Só assim poderão ser sintonizadas motivações
Não deverá ser apenas a morte a constituir e vontades de auxílio, tanto na perspectiva do
um acontecimento familiar ou a garantir a proxi- prestador como na do receptor.
midade da família, mas sim todas as circuns- Só assim fará sentido utilizar a expressão “aju-
tâncias de doença que necessitem de cuidados da” no acto de cuidar do doente com dor.
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