Page 6 Volume 11, Número 4, 2003
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Dor (2003) 11 G. Miranda: Meet the experts: Revisión: la termografía infrarroja en los síndromes de dolor
Mensagem do Presidente da APED
Jose Manuel Castro Lopes
Ao reler o texto que aqui escrevi há precisamente um ano, fiquei com aprovação da norma já referida, a APED colaborou na realização de um
a sensação que 2003 tinha ficado aquém das expectativas geradas colóquio sobre a “Importância da enfermagem na abordagem da dor”.
pela dinâmica criada no ano transacto. Porque qualquer sensação, Organizado pela Direcção Geral de Saúde no Hospital Júlio de Matos,
dolorosa ou não, é passível de análise, tentei comparar em termos o colóquio tinha como objectivo principal sensibilizar a classe profis-
objectivos aquilo que foi conseguido pela APED em 2002 com os sional mais importante para a correcta implementação da norma. Num
resultados da nossa actividade no corrente ano. anfiteatro repleto, foi gratificante verificar o empenho dos profissionais
Começando pelo Dia Nacional de Luta Contra a Dor, um marco presentes, e a vontade expressa de colaboração. Nesse mesmo dia,
da actividade da APED em qualquer ano, no ano passado realizá- a APED realizou uma conferência de imprensa na sede da Ordem dos
mos pela primeira vez a Corrida Contra a Dor, com a participação Médicos, alusiva à Semana Europeia Contra a Dor
de cerca de 100 pessoas e uma projecção mediática muito boa. Ainda no âmbito da enfermagem, realizámos em 2002 o 1º Curso
Este ano repetimos a corrida, desta vez no Porto e com mais de APED de Enfermagem em Dor, e planeávamos organizar um outro em
400 participantes, que resultou numa repercussão nos órgãos de 2003. Afinal, contingências várias impuseram adiamentos sucessivos
comunicação social ligeiramente inferior (pois é, foi no Porto...), mas dos cursos planeados, estando neste momento prevista a realização de
muito significativa. Acresce que as comemorações não se limitaram três cursos, em Lisboa, Coimbra e no Porto, em Janeiro de 2004.
à corrida. Aproveitando o facto de o 1º Curso de Pós-Graduação em Decorreu em 2002, com o êxito que todos reconhecemos, o 1º
Medicina da Dor da Faculdade de Medicina do Porto encerrar nesse Encontro das Clínicas de Dor da Revista Dor. Não tivemos este ano
dia com uma conferência do Prof. Harald Breivik, presidente da EFIC, nenhuma iniciativa semelhante, mas a APED, à semelhança do ano
realizámos uma cerimónia conjunta para a qual convidámos diversas transacto, deu o seu patrocínio científico e/ou apoio a diversas reuniões
individualidades, incluindo o senhor ministro da Saúde, na expectativa científicas organizadas pelos seus associados ou pela indústria farma-
de que ele pudesse anunciar nessa data a tão esperada norma que cêutica. Para além disso, o presidente da APED esteve activamente
equipara a dor a 5º sinal vital. Não pôde comparecer o senhor ministro envolvido na organização do congresso da EFIC, Pain in Europe IV,
mas veio a norma, e foi com grande júbilo que terminámos o dia com tanto na qualidade de tesoureiro honorário da EFIC como na de mem-
um recital da pianista Tânia Achot subordinado ao tema “A dor e o bro da Comissão Científica. É de salientar, a este propósito, que em
sofrimento na música”. nenhum outro congresso da EFIC houve uma tão elevada participação
No final do ano passado realizaram-se as sessões de sensibilização de associados da APED no programa científico. O presidente da APED
do Plano Nacional de Luta Contra a Dor (PNLCD), com a participação participou ainda na Reunião das Sociedades Ibero-Americanas para o
da APED. Dado o insucesso relativo dessas sessões, que visavam Estudo da Dor.
criar uma dinâmica das bases para as cúpulas com vista à criação de Foi decidido, no ano passado, propor à Ordem dos Médicos a
unidades de dor, decidiu a Comissão de Acompanhamento do PNLCD criação da Competência em Medicina da Dor. Depois de demoradas
alterar a sua estratégia. Assim, promoveu-se este ano um inquérito, conversações com outras 7 sociedades científicas (as Sociedades
que visa actualizar os dados de 1999 relativos às características das Portuguesas de Anestesiologia, Medicina Física e de Reabilitação,
unidades de dor existentes no nosso País, e planificar uma metodologia Neurocirurgia, Neurologia, Oncologia, Ortopedia e Traumatologia e
objectiva de criação de novas unidades e apoio ao desenvolvimento Reumatologia) foi apresentada uma proposta conjunta ao senhor bas-
das unidades já existentes. O papel da APED, enquanto instituição, tonário em Maio último. Esperávamos que uma proposta tão consensual,
foi menor neste aspecto particular, mas vários membros dos seus e que obteve de imediato o acordo implícito do senhor bastonário, fosse
corpos sociais mantêm-se a trabalhar empenhadamente na Comissão rapidamente aprovada sem oposição significativa. Erro de avaliação,
de Acompanhamento do PNLCD, para que os objectivos e metas nele distracção momentânea, ingenuidade, incompetência da nossa parte,
traçados sejam cabalmente atingidos. Não se pense, no entanto, que o ou então incompreensão de quem a avaliou, fizeram com que a pro-
trabalho da Comissão se limita ao estritamente consignado no PNLCD. posta não fosse aprovada numa primeira fase, por razões que ainda
A aprovação da norma que equipara a dor a 5º sinal vital é um excelente não nos foram comunicadas oficialmente. No entanto, encetámos de
exemplo do resultado do trabalho da comissão em áreas em que o imediato diligências no sentido de a proposta ser reapreciada, e esta-
plano é omisso. No mesmo sentido, a APED apoiou igualmente a Co- mos firmemente convictos de que a força da razão se irá sobrepor a
missão de Acompanhamento ao promover no Porto uma reunião, para quaisquer outras “forças”.
que foram convidados todos os coordenadores de unidades de dor, que Por último, o número de novos associados que se inscreveram na
teve como objectivo aprovar uma proposta de revisão e actualização APED em 2003 foi o dobro daqueles que se inscreveram em 2002, tendo
dos GDH relativos aos procedimentos efectuados nas unidades de dor a APED neste momento 240 sócios. Foi também criada, no corrente ano,
crónica. De facto, verifica-se que muitos dos procedimentos não estão a página da APED na Internet (em www.aped-dor.org), um embrião que
enquadrados nas actuais listagens, ou estão dispersos por diversas se- pretendemos se desenvolva à medida do interesse de quem a visita e
cções, o que torna praticamente impossível quantificar com algum rigor das nossas disponibilidades.
o trabalho realizado nas unidades de dor crónica, tarefa fundamental Em resumo, 2003 foi objectivamente mais um ano de evolução
face às novas regras de gestão implementadas nos hospitais S.A. Re- positiva para a APED. Porquê então aquela sensação de expectativas
fira-se que numa portaria deste ano, que fixa os preços a praticar pelo frustradas? Penso que existe uma razão circunstancial e uma razão
Serviço Nacional de Saúde, estão apenas descritos 12 procedimentos de fundo. A primeira decorre da negação daquilo que para nós era
de terapia da dor crónica, incluídos na tabela de anestesia. Ainda por praticamente um dado adquirido: a criação da Competência em Medi-
solicitação da Comissão de Acompanhamento, e com vista à alteração cina da Dor. A segunda resulta da insatisfação permanente de quem
das regras de comparticipação dos opióides, a APED solicitou às suas percebe que ainda há tanto caminho para andar, tantos obstáculos para
congéneres europeias dados sobre as regras nacionais neste âmbito. ultrapassar e tão poucos recursos materiais e humanos para ajudar a
Conforme presumíamos, verificou-se que na generalidade dos países atingir a utopia da meta.
europeus o custo dos opióides para os doentes é nulo, ou substancial- Termino, tal como há um ano atrás, agradecendo a colaboração de
mente inferior ao praticado no nosso País. todos aqueles que contribuíram para os sucessos que conseguimos
A comemoração da Semana Europeia Contra a Dor foi assinalada alcançar durante o corrente ano, e fazendo votos para que o ano que DOR
no ano passado pela tradução e publicação do folheto da EFIC des- agora se vai iniciar seja ainda melhor do que 2003, para a APED, seus
tinado aos doentes com dor crónica. Neste ano, e na sequência da associados e patrocinadores. 5

