Page 4 Volume 12, Número 3, 2004
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Dor (2004) 12 G. Miranda: Meet the experts: Revisión: la termografía infrarroja en los síndromes de dolor

Editorial


Vamo-nos vendo!


José Manuel Caseiro


oram 4 anos alucinantes. O que até aqui se passou dava, no mínimo, para mais um
Quando, exactamente 16 exemplares atrás, aceitei, volume temático. Quem me conhece, sabe bem da ligação
Fhonrado, a incumbência da direcção executiva da Re- directa que o meu cérebro, a minha alma e o meu coração
vista DOR, fi-lo na expectativa de a tornar um instrumento de têm à minha boca e à minha mão que escreve. Esse imaginá-
utilidade indispensável para a APED, tanto do ponto de vista rio volume, se fosse feito, incluiria, seguramente, emoções,
da qualidade científica, como da possibilidade de informação agradecimentos, acusações, manifestações de princípio e de
interna aos sócios, como até da autonomia financeira que culpa, justificações, reflexões, etc. Enfim, uma estupada!
permitisse a sua sobrevivência sem qualquer prejuízo para a Daí, a preocupação de não fazer deste editorial uma ma-
tesouraria da Associação. çada igual. Daí, a vontade de me limitar a pedir desculpa aos
Necessariamente, os aspectos económicos tinham que ser que esperavam mais, deixando-lhes a promessa que, com a
garantidos de início e houve que partir para uma modalidade confiança que me merecem os que me vão substituir, a revis-
de parceria estratégica com os aliados de sempre – a indús- ta melhorará.
tria farmacêutica – tantas vezes atacados pela sua influência No entanto, sería incorrecto da minha parte não agradecer as
comercial, mas sempre eles a apoiar as iniciativas científicas inesquecíveis colaborações que tive, personalizando nalguns,
de quem não pode aspirar a outro tipo de apoios. que não posso deixar de citar, os imensos apoios que senti:
Não posso deixar de referir aqui algo que, porventura mui- Aos dois presidentes da APED com quem trabalhei, agora
tos desconhecem: só foi possível a APED patrocinar o 1º Dia meus Amigos, Dr. Nestor Rodrigues e Prof. Dr. José Manuel
Nacional de Luta Contra a Dor, em 1999, pela desinteressada Castro Lopes, pela confiança manifestada e por sempre terem
generosidade da Bristol-Myers Squibb, que, sem ter incluído tentado obter, para a Associação e para a Revista, o reconheci-
um único logótipo ou feito qualquer menção ao laboratório, mento e prestígio – nacional e internacional – que ambos detêm.
tudo suportou incognitamente em nosso nome: cartazes, pro- Aos editores convidados que fui aliciando a colaborar con-
dução do logótipo da APED, organização e almoço do dia nosco e aos quais se deve a qualidade científica que a Re-
comemorativo, convites, etc. Nunca ouvi até hoje, da BMS, vista DOR conseguiu manter.
uma única referência, pública ou privada, a esse facto, para Ao responsável pela edição, Sr. Ricardo Permanyer, que me
tirarem vantagem de qualquer tipo de negociação. São e mostrou como é fácil trabalhar com ele e que ficou a saber
continuarão a ser parceiros iguais aos outros. Eu, em hora de como é complicado trabalhar comigo. Permitam-me ainda
cessação de funções, não poderia deixar cair em esqueci- que, em relação à Permanyer, invoque nesta hora a memória
mento esse facto. da Sra. D. Amélia Bouça e agradeça publicamente a alguém
Essa parceria estratégica, de que fez parte integrante a que provavelmente apenas eu conheço, por residir em Barce-
única editora que a nossa revista conheceu até hoje, a Per- lona, mas que sempre foi o grande obreiro do grafismo da
manyer Portugal, permitiu delinear as bases de um entendi- revista – o Sr. Nuno Soares.
mento que garantia independência, autonomia e instrumentos Aos parceiros estratégicos que patrocinam a revista DOR
à APED para a produção de uma revista trimestral com tira- (e continuarão a patrocinar – assim o desejo e transformo
gem de 1.000 exemplares, que continuava a ser distribuída esta vontade num pedido público). A saber: Janssen Cilag,
gratuitamente a todos os sócios e, também, de forma aleató- Bristol-Myers Squibb, Pfizer, Astra Zeneca, Grünenthal-Eurolabor
ria, a muitos outros médicos e instituições. e B. Braun.
A necessidade, em jeito de boletim, de garantir informa- A todos os que me souberam dar o ânimo que, nalguns
ções sobre a vida da Associação, das iniciativas da sua Di- momentos, precisei, mas também aos que me tentaram desmo-
recção ou tão-somente a divulgação de aspectos que deverí- ralizar pois apenas conseguiram que eu levantasse a cabeça.
am ser do conhecimento de todos, gerou a atribuição de uma Deixo apenas dois alertas: o primeiro, para a necessidade
página ao nosso presidente, que é, de resto, por inerência do de, os clínicos que se dedicam à dor, publicar mais (será ga-
seu cargo, o director da revista, para que toda a matéria in- rantidamente mais importante que se preocuparem em obter a
formativa fosse originada ao mais alto nível. competência em Dor pela Ordem dos Médicos); o segundo,
Finalmente, havia a resolver a questão do conteúdo cientí- para chamar a atenção de todos os que têm sabido crescer
fico. Com a experiência que já trazía da coordenação e/ou nas Unidades de Dor entretanto nascidas, que o apoio que
direcção de outros projectos editoriais, sabía que era extre- APED lhes tem prestado, nomeadamente com o Plano Nacional
mamente complicado angariar artigos em número e qualidade de Luta Contra a Dor, merece ser retribuído com maior dispo-
suficiente que permitissem fazer uma revista exclusivamente nibilidade para as tarefas que cabem à Associação. Não po-
composta por artigos de autor originais. dem ser sempre os mesmos a fazer tudo.
Assumi, então, a organização de volumes monotemáticos, Recuso despedir-me. Não me passa sequer pela cabeça
em torno das mais variadas questões que pudessem interes- não continuar a colaborar com a revista e, quanto à APED, a
sar os associados de uma organização que tem como objec- minha família profissional, continuarei a fazer parte integrante.
tivo o estudo da dor. Nasceu, nesse momento, “esta revista”. Por isso, vamo-nos vendo!

DOR

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