Page 6 Volume 12, Número 3, 2004
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Dor (2004) 12 M.T. Flor de Lima: Abordagem ao Tratamento da Dor na Região Autónoma dos Açores
Editorial II
Abordagem ao Tratamento da Dor
na Região Autónoma dos Açores
Maria Teresa Flor de Lima
onstituem linhas orientadoras para o tratamento da pelos serviços de anestesiologia, em todos os hospitais do
dor, em Portugal e nos Açores, todas as directrizes arquipélago; a analgesia de parto ainda está numa fase de
Cemanadas pelas associações científicas, como a IASP, organização em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, muito
a EFIC e a APED, bem como as decisões dos governos da embora, ao invés, já seja uma realidade no Hospital da Horta.
República e da Região Autónoma dos Açores. Se é verdade que a falta de profissionais de saúde se re-
O Plano Nacional de Luta Contra a Dor, publicado em 2001, gista em todas as áreas, certo é também que os problemas
estabeleceu metas fundamentais, até 2007, de tratamento da da sua formação e diferenciação nas especificidades do fe-
dor crónica, da dor aguda e analgesia de parto. nómeno complexo que é a dor assumem uma importância
A obrigatoriedade da avaliação da dor como sinal vital, por ainda maior.
força da circular normativa da Direcção Geral de Saúde, da- Não obstante, se o ensino da dor já faz parte integrante do
tada de 14 de Junho de 2003 e aplicada na Região, condi- programa curricular das Escolas Superiores de Enfermagem,
cionou, indubitavelmente, uma mudança de atitudes e com- ainda faltam acções formativas para outros profissionais, onde
portamentos, quanto à abordagem e tratamento do doente o grande alvo é o da Medicina de Família.
com dor. Se é universal que o não tratar a dor acarreta custos mais
Por outro lado, o Decreto-Lei nº 280/2003, de 8 de Novem- elevados, os problemas económicos arrastados pelo excessi-
bro, estabeleceu uma rede nacional de cuidados continuados, vo consumismo dos serviços oficiais de saúde levam a uma
o qual, em princípio, tem linhas orientadoras adaptáveis às atitude muito crítica e infundada por parte dos responsáveis,
nossas realidades. quer perante a criação de novas estruturas organizativas, quer
Acresce, ainda, que o recentemente criado Curso de Pós- perante a implementação de técnicas mais diferenciadas.
Graduação de Medicina da Dor, na Faculdade de Medicina Nos Açores, dada a sua natureza arquipelágica, todas
do Hospital de S. João do Porto, já constitui, também, uma as distâncias são enormes, e isso condiciona, decerto, tan-
referência. to as decisões políticas, como as próprias estratégias tera-
Por tudo isto, no momento actual, programar uma publica- pêuticas.
ção sobre o que se faz, na Região Autónoma dos Açores, para Como os optimistas sempre pensam ser capazes de ultra-
uma melhor qualidade do tratamento dos doentes com dor, só passar todos os obstáculos que se lhes apresentam, o optimis-
pode ser dar voz aos que acreditam em projectos ou que têm mo que, neste ensejo, deve ser transmitido é o de que o muito
objectivos, ou mesmo, ouvir alguns mais próximos da voz do que já se fez, é, paradoxalmente, pouco perante o muito que
“sofrimento”. Deste modo, a compilação destes trabalhos tem se pode fazer. E foi assim, sempre animados com esse espí-
uma certa orientação para o futuro, não deixando de salientar rito positivo, que o PNLCD foi chegando aos Açores; a circu-
algumas das acções já desenvolvidas e que nos conduziram lar normativa do 5º sinal vital está aplicada; a realidade actu-
ao caminho traçado, quer da sensibilização, quer da formação al é irmos conseguindo uma melhor articulação entre os
ou da informação, acompanhando a evolução positiva que se profissionais, de modo a que as equipas interdisciplinares
tem desenvolvido, no nosso país e na Europa. comecem a proliferar, por todo o Atlântico; os domínios dos
Os projectos não nos devem envergonhar, ou porque já
estão em execução, ou porque mantêm viva a chama do
entusiasmo e da motivação, ou, ainda, porque só agora é que
começaram a ser entendidos/compreendidos.
A apreciação do que se verifica nos 3 hospitais e nos A 3.900 km A 1.600 km
17 centros de saúde da Região Autónoma dos Açores, quan- da América da Europa
to às limitações e constrangimentos para o melhor tratamento
dos doentes com dor, nas 9 ilhas dos Açores, implica uma
referência, ainda que breve, ao que já está feito e, acima de
tudo, o estabelecimento de objectivos para nos mantermos no
“Mapa da dor da Europa”.
Em todas elas temos características e dimensões diversas,
incluindo carências em meios humanos, meios técnicos ou
meios económicos, culminando nas dificuldades de comunica-
ção e de deslocação, quer de profissionais, quer de doentes.
Existe uma Unidade de Dor Crónica no Hospital de Ponta
Delgada; o tratamento da dor pós-operatória está organizado,
Chefe de Serviço de Anestesiologia DOR
Coordenadora da Unidade de Dor do HDES Figura 1. Onde estamos no mundo.
Ponta Delgada, Ilha de S. Miguel. Açores 5

