Page 27 Volume 16 - N.1 - 2008
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uma ou mais formas de administração de anal- Um protocolo representa uma linha de condu-
gésicos de resgate, para permitir ao enfermeiro ta, que deverá ser respeitada e cumprida. Está
responsável pelo doente a possibilidade de in- em jogo a segurança do doente, a responsabi-
terferir imediatamente em situação de descon- lidade de quem executa as instruções e de
trolo analgésico. Sempre que for administrada quem as elaborou.
analgesia de resgate, a enfermeira deve registar
a hora da administração e a intensidade da dor Outros protocolos
antes e depois da administração. Nas UDA não existem só protocolos para o
– Monitorização de efeitos adversos e compli- tratamento da dor. Da análise e tratamento esta-
cações: todos os parâmetros a monitorizar tístico dos registos, surgiu a necessidade de
e a periodicidade dos registos devem estar começar a protocolar outros procedimentos re-
enumerados sistematicamente, para que lacionados, de alguma forma, com a utilização
nada fique ao acaso. Os protocolos devem dos protocolos analgésicos, como é o caso da
conter elementos precisos de avaliação profilaxia das náuseas e vómitos.
contínua e regras bem estabelecidas para Na página 28 apresenta-se o protocolo das náu-
que o enfermeiro possa actuar. Em toda a seas e vómitos utilizado na UDA do IPOLFG-EPE.
analgesia do pós-operatório existem proble-
mas frequentes ou preocupantes como a
dor ou insuficiência analgésica, a presença Registos de vigilância e de ocorrências
de sedação excessiva ou de agitação, as Em muitas das UDA optou-se por apenas ha-
náuseas e vómitos, os problemas hemodi- ver folhas de registos permanentes e a horas
nâmicos (bradicardia, hipotensão, etc.) e os certas nos programas que envolvam as modali-
respiratórios (bradipneia, depressão respi- dades não-convencionais de analgesia – epidu-
ratória, etc.). É fundamental que o enfermei- ral, PCA – para não sobrecarregar o intenso
ro saiba se pode administrar algum medi- trabalho de registo de dados a que a rotina pós-
camento para a bradicardia ou hipotensão operatória de vigilância obriga os enfermeiros.
e em que limites, se tem indicação para A título de exemplo, apresenta-se nas páginas
recorrer a antieméticos ou em que circuns- 29 e 30 as folhas de registo utilizadas na UDA
tâncias se torna imprescindível chamar o do IPOLFG-EPE para os doentes a fazer analge-
médico responsável pela analgesia ou pela sia por cateter epidural e por PCA.
organização. Assim, os doentes sob terapêuticas analgési-
– Indicações para chamada do anestesista: cas convencionais, menos agressivas e que não
devem existir indicações específicas para a colocam tantas preocupações em termos de se-
chamada do anestesista, como é o caso de gurança, são sujeitos a avaliações menos fre-
não haver alívio da dor após o primeiro res- quentes e não obrigatoriamente registadas, para
gate ou do aparecimento de efeitos aces- além dos registos da rotina de enfermagem rela-
o
sórios ou complicações. tivos aos sinais vitais (dor = 5. sinal vital). Claro
– Contacto de urgência: todos os protocolos que se surgir qualquer ocorrência deverá ser en-
devem ter referência ao número de contac- carada com o mesmo rigor, solucionada segundo
to móvel que deve estar disponível 24 horas o protocolo, se existir, e devidamente registada.
por dia. No âmbito de uma UDA em pleno funciona-
– Duração: os protocolos analgésicos têm um mento, é fundamental a existência de registos
tempo de validade, a partir do qual o doente criteriosos de toda a actuação analgésica do
deve ser reavaliado pelo anestesista respon- pós-operatório, com os respectivos protocolos
sável nesse dia pela UDA, que vai intervir no de actuação terapêutica e de vigilância, reflec-
sentido de o manter, substituir ou suspender. tindo os critérios de monitorização específica.
Nas páginas 25, 26 e 27 incluem-se, a título Os registos de cada doente deverão ser comple-
de exemplo, três protocolos diferentes, utilizados tados e analisados diariamente, por um elemento
na UDA do Serviço de Anestesiologia do IPOL- da UDA e em conjunto deverão ser periodicamente
FG-EPE. submetidos a análise estatística, de modo a avaliar
Os dois primeiros protocolos são exemplos de a eficácia e segurança da actuação da unidade.
modelos de analgesia não-convencional (necessi- Dessa análise devem resultar:
tam da intervenção directa do anestesiologista para – Modificações de protocolos, que levem a
serem iniciados), o primeiro protocolo de analgesia um melhor desempenho da unidade.
por via epidural, o segundo para analgesia por PCA – Confirmação da eficácia e segurança dos
e o terceiro para analgesia convencional. Nos dois restantes protocolos.
primeiros, surge a associação, por via ev., com – Análise do grau de satisfação dos doentes
paracetamol, cumprindo o propósito multimodal e dos profissionais que nela participam.
que deve ser comum a todos os protocolos. Os registos e a sua análise detalhada consti-
Será principalmente através dos protocolos que tuem assim a base da dinâmica sobre a qual
DOR o enfermeiro terá margem de manobra para actuar, assenta uma UDA, que leva a que os protocolos
terapêuticos e de registo estejam periodicamen-
pelo que deverá conhecê-los e desfazer previamen-
26 te qualquer dúvida que os mesmos lhe suscitem. te a ser modificados.

