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I. Serralheiro: Como Construir Protocolos para o Tratamento da Dor Aguda do Pós-Operatório
modalidades analgésicas praticadas no O aspecto gráfico dos protocolos tem um pa-
serviço. pel fundamental, devendo salientar a informação
• A aceitação pela maioria dos elementos do mais importante.
Serviço de Anestesiologia. Toda a informação contida nos protocolos
• A actualização científica à luz da medicina ba- deve estar numa linguagem simples, tentar es-
seada na evidência e no resultado dos vários clarecer todas as dúvidas que possam surgir na
consensos, cuja consulta é fundamental. sua aplicação e ser actualizada regularmente.
– Poder ser prescritos e iniciados por qual-
quer clínico da UDA. Informação a incluir num protocolo:
– Ser facilmente identificados por todos os – Denominação do protocolo: esta denomina-
intervenientes, principalmente pelos enfer- ção deve ser programada com o Serviço de
meiros, que têm a responsabilidade de ga- Farmácia e permitir a sua identificação na
rantir a sua vigilância e controlo. totalidade, apenas pela sua menção. Essa
– Ter uma denominação simples, acordada identificação pode ser feita de vários mo-
com a farmácia. dos, como por exemplo pelo tipo de cirurgia
– Ter em destaque os fármacos e a forma de a que se destina, por uma sequência lógica
preparação, para que não reste qualquer de letras representativas dos fármacos e
dúvida. O método de administração (via ev., técnicas neles envolvidos, por um número
epidural, PCA, etc.) também deve estar em ou por um misto destas formas (forma adop-
destaque. tada na UDA do IPOLFG-EPE). Por exem-
– Ser claros na apresentação da analgesia: a plo, a sequência CONV_06, em que «CONV»
posologia deve estar referida com clareza, representa que se está a prescrever uma
desde o ritmo correcto de uma perfusão à técnica convencional de analgesia (não ne-
dose de qualquer administração directa e a cessita da intervenção directa do anestesis-
frequência com que deverá ser repetida. ta para ser iniciada) e «06» corresponde à
Todos os protocolos devem ter alternativas associação de dois fármacos, paracetamol
de recurso a analgésicos de resgate, para e tramadol, por via ev., cada um com uma
permitir ao enfermeiro intervir imediatamen- periodicidade de oito horas, de modo a que
te em situação de descontrolo analgésico. o doente de quatro em quatro horas recebe
– Apresentar normas de intervenção: os pro- uma dose de um dos fármacos.
tocolos de analgesia devem abranger a – Fármaco ou combinação de fármacos: deve
prescrição analgésica e a gestão de efeitos ser exibido em destaque o fármaco ou com-
adversos. Assim, devem ter normas relati- binação de fármacos que, numa primeira
vamente a manifestações de ineficácia te- linha e de forma regular, dele fazem parte,
rapêutica, efeitos acessórios e complica- bem como o método de administração (via
ções, desde a administração de fármacos, ev., epidural, PCA, etc.) a utilizar.
adopção de atitudes pré-estabelecidas – Equipamento: poderá ser referido o tipo de
como a substituição ou interrupção do pro- equipamento a utilizar para a administração
tocolo ou a chamada do clínico a quem de fármacos, quando tal se justifica.
caiba, nesse momento, a responsabilidade – Caracterização dos fármacos: é importante
de intervir, para que o enfermeiro possa agir para os outros profissionais não-anestesio-
prontamente. logistas, pouco familiarizados com analgé-
– Ter instruções acessórias e caracterização sicos e adjuvantes.
dos fármacos que constam nos protocolos. – Modo de preparação: são essenciais as ins-
truções sobre o modo mais adequado de
Elementos que devem estar mencionados preparação dos fármacos ou misturas anal-
num protocolo de analgesia de uma Unidade gésicas, para que não haja engano entre pre-
de Dor Aguda parações efectuadas por pessoas diferentes,
não esquecendo nunca a rotulagem.
Assim como as UDA têm características pró- – Posologias: referência, com muita clareza,
prias consoante o hospital a que pertencem, às posologias, desde o ritmo correcto de
também os protocolos de actuação analgésica uma infusão, à dose de qualquer adminis-
são específicos de cada hospital, pelo que não tração directa e à frequência com que de-
faz qualquer sentido importá-los de um hospital verá ser repetida.
para outro. – Analgesia de resgate: este tipo de analge-
Os protocolos de actuação analgésica das sia é obrigatório em qualquer protocolo,
várias UDA partem todos de princípios comuns, com excepção, como é óbvio, na PCA.
já referidos, mas vão evoluindo de modo diferen- Tendo em atenção que a dose inicial de um
te consoante as particularidades álgicas comuns analgésico deve ser a dose mínima eficaz e que
aos doentes desse hospital, às características há variabilidade no limiar à dor, esta analgesia
do próprio hospital e dos técnicos de saúde que de resgate permite à enfermeira controlar a dor DOR
nele trabalham, e à dinâmica e empenhamento nos doentes em que a dose inicial foi insuficien-
dos elementos da própria unidade. te. Todos os protocolos deverão incluir sempre 25
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