Page 24 Volume 16 - N.1 - 2008
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Dor (2008) 1 I. Serralheiro: Como Construir Protocolos para o Tratamento da Dor Aguda do Pós-Operatório

Como Construir Protocolos


para o Tratamento da Dor Aguda

do Pós-Operatório



Isabel Serralheiro






Resumo
Os protocolos são poderosos elementos de segurança, eficácia e formação, contendo vários critérios, regimes
terapêuticos, modelos de associação de fármacos, indicações de monitorização, intervenção precoce nos
efeitos secundários ou insuficiência analgésica, procedimentos de avaliação e ainda um sinal de preocupação
de qualidade na abordagem da dor aguda.
Apesar de já existirem algumas orientações para a elaboração de protocolos, nunca é demais salientar a sua
especificidade em relação à UDA a que pertencem.
Palavras-chave: Dor do pós-operatório. Unidades de Dor Aguda. Protocolos analgésicos. Segurança e eficácia.
Plano Nacional de Luta Contra a Dor. Planeamento integrado. Analgesia multimodal. Náuseas e vómitos.


Abstract
The protocols are powerful elements of safety, efficacy and training, containing several criteria, therapeutic
regimens, models of association of drugs, indications of monitoring, early intervention in side effects or
inadequate analgesic, assessment procedures and a sign of concern for quality in approach of acute pain.
Although there are already some guidelines for the elaboration of protocols, is never enough to emphasize
its uniqueness in relation to the Acute Pain Service to which they belong. (Dor 2008;16(1):23-33)
Corresponding author: Isabel Serralheiro, isabelserralheiro@gmail.com

Key words: Post-operative pain. Acute Pain Service. Analgesic protocols. Safety and efficacy. National Plan
to Combat Pain. Planning integrated. Multimodal analgesia. Nausea and vomiting.



Introdução uma UDA e têm como objectivos principais: pro-
Com uma tão grande variedade de fármacos porcionar eficácia e segurança no tratamento da
e métodos analgésicos efectivos que surgiram DPO, reduzir o risco de efeitos adversos, manter
nos últimos anos, não seria de esperar um tão as capacidades funcionais do doente, sobretudo
elevado número de doentes que continuam a o seu bem-estar físico e psicológico, e melhorar a
referir uma analgesia insuficiente no pós-opera- qualidade de vida do doente com dor aguda du-
tório. Segundo Wheatley e Madej, o maior obs- rante o período perioperatório.
táculo ao correcto alívio da DPO não tem sido a A DPO é a mais frequente e importante causa
falta de métodos analgésicos efectivos, mas a fal- de dor aguda, cuja intensidade pode ir de ligei-
ta de organização. ra a intolerável.
Foi da tentativa de organizar esta analgesia do A agressão cirúrgica envolve frequentemente
pós-operatório que surgiram as recentes UDA, estruturas da parede (pele, músculos, ossos,
com os imprescindíveis protocolos analgésicos. pleura e peritoneu), viscerais (tracto gastrointes-
Os protocolos de actuação analgésica, com tinal, biliar, etc.) e nervosas, implicando que o
destaque para as mais eficazes e seguras formas quadro álgico que dela resulta pode apresentar
de administração de opióides (PCA e via epidural), componente somática, visceral e neuropática.
são elementos fundamentais no funcionamento de Geralmente, esta dor é proporcional ao grau
de destruição tissular e desaparece com a reso-
lução do insulto (tem uma duração que pode ir
de 24 horas a vários dias), reflectindo uma acti-
vação dos nociceptores, assim como uma pato- DOR
Assistente Graduada da Anestesiologia lógica sensibilização periférica e central dos
IPOLFG-EPE, Lisboa neurónios envolvidos. Na dor pós-cirúrgica, a 23
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