Page 25 Volume 16 - N.1 - 2008
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Dor (2008) 1
terapêutica analgésica inicial deve ser sempre – Tipo de doentes (pediátricos, idosos, debi-
mais forte e agressiva que nos dias seguintes, litados, etc.).
mas sempre adequada ao quadro álgico. – Monitorização disponível e espaço físico
Este tipo de dor tem uma importante função onde vai permanecer o doente (UCPA, Sala
biológica de alerta para um qualquer aconteci- de Operados, Sala de Intermédios, Unidade
mento anómalo, desencadeando de imediato ac- de Cuidados Intensivos, enfermaria…).
ções de carácter defensivo (respostas neurove- – Disponibilidade de cuidados de enferma-
getativas, espasmo muscular), mas a resposta gem adequados.
hormonal ao stress cirúrgico apresenta efeitos – Tipo de cirurgia (ambulatório, internamento,
emocionais e fisiológicos adversos (altera o bem- internamento de curta duração).
estar de doente, interferindo com a respiração, – Presença de anestesista disponível 24 so-
mobilidade, sono e comunicação) que devem ser bre 24 horas.
evitados, para protecção e conforto dos doentes.
Os protocolos de actuação analgésica devem:
Protocolos de analgesia do pós-operatório
A utilização de protocolos em analgesia do – Reflectir o conceito de planeamento integra-
pós-operatório tem uma importância fundamen- do: a ideia do planeamento integrado deve
tal porque: presidir à elaboração dos protocolos para o
– Constituem uma forma organizada de trans- tratamento da dor aguda do pós-operatório,
missão das indicações mais relevantes da ou seja, deve existir um processo de integra-
actuação analgésica, desde as opções far- ção do controlo da dor nos cuidados perio-
macológicas às decisões de actuação pe- peratórios dos doentes. Esta integração
rante ocorrências possíveis ou esperáveis. deve basear-se no reconhecimento da van-
– Incluem fármacos cuja escolha se baseia na tagem da escolha de técnicas analgésicas
eficácia validada pela evidência científica. que se possam associar e/ou complementar
– Ajudam a uniformizar procedimentos que nos períodos pré e intra-operatório e que
vão permitir, com maior eficácia e seguran- possibilitem a sua continuação no período
ça para o doente, que os profissionais en- pós-operatório, promovendo um adequado e
volvidos nos cuidados pós-operatórios do eficaz alívio da dor aos doentes operados..
doente adquiram hábitos e experiência. – Adoptar metodologias de analgesia multi-
– Implicam multidisciplinaridade na sua ela- modal: os protocolos devem basear-se
boração. numa analgesia balanceada ou multimodal,
– Servem de divulgação à boa prática de ou seja, devem reflectir a adopção de atitu-
prescrição analgésica. des anti-álgicas em tempos diferentes do
– Evidenciam a organização ou o espaço para período perioperatório, com utilização de
que se alcance essa organização, tão ne- fármacos de diferentes grupos, que tenham
cessária à boa prática clínica nesta área. a capacidade de interferir selectivamente
A existência de protocolos analgésicos não pre- nos diferentes processos da nocicepção
tende retirar, de modo nenhum, a liberdade de (transdução, transmissão e modulação). Por
prescrição de cada anestesista. Ela pretende ga- outro lado, as alterações no SNC persistem
rantir metodologias comuns na abordagem da dor para além da duração do estímulo e este
cirúrgica, que representem a experiência e as rea- provoca um estado de sensibilização cen-
lidades anestésica e cirúrgica do hospital a que tral que amplifica os impulsos subsequen-
pertencem, que facilitem a todos os profissionais tes e agrava a DPO. Se bloquearmos a
envolvidos uma rápida e correcta identificação com transmissão dos estímulos ao longo de todo
os processos utilizados e contribuam para treinar o seu trajecto, pode-se obter uma redução
a rotina de vigilância e de reconhecimento de cri- da intensidade da dor, menor consumo de
térios de intervenção perante o aparecimento de analgésicos e menor tendência para evoluir
qualquer acontecimento esperado ou inesperado. para dor crónica. Alguns fármacos adjuvan-
Os protocolos analgésicos são um instrumento tes, como a quetamina, tornam-se interes-
de garantia das condições de segurança dos do- santes ao actuar nestes níveis de transmis-
entes e da eficácia das terapêuticas utilizadas. são. São necessários mais estudos para
definir doses e vias de administração.
Bases para elaboração de protocolos – Eleger técnicas analgésicas preferenciais.
A eleição dessas técnicas preferenciais
de analgesia do pós-operatório deve ter como base:
Com base nas orientações do Plano Nacional • A experiência do serviço relativamente ao
de Luta Contra a Dor e de prestigiadas associa- tipo de cirurgias efectuadas no hospital, es-
ções científicas nacionais e internacionais, foram pecialidades cirúrgicas existentes e intensi-
emitidas orientações para o tratamento da DPO. dade dos quadros álgicos gerados no intra
DOR devendo ser adaptadas às conjunturas de cada • A análise dos resultados obtidos ao longo
e pós-operatório.
Estas orientações não passam de sugestões,
24 hospital que passam por: dos anos de actividade da UDA, com as
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