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Dor (2009) 17 J.M. Caseiro: Editorial: Essa dor
Mensagem do Presidente da APED
José Romão
Este texto foi escrito em Julho de 2010 e não na (International Pain Summit) para 3 de Setembro pró-
data de capa. ximo, no Canadá. Neste campo Portugal adiantou-se,
A APED vai organizar de 14 a 16 de Outubro de 2010 uma vez que há vários anos a APED tem colaborado
em Lisboa, no Hotel Villa Rica, o 3. Congresso Inter- proximamente com diversas entidades oficiais ligadas
o
disciplinar de Dor. Pretende-se com este evento reunir à saúde (Plano Nacional de Luta Contra a Dor [PNLC];
profissionais com formações diversas e com interesse Programa Nacional de Controlo da Dor).
na investigação, diagnóstico e tratamento da dor. Com No dia 15 de Outubro celebrar-se-á o Dia Nacional
o intuito de estimular a produção científica será atribu- de Luta Contra a Dor, e serão apresentados dados
ído um prémio no valor de 2.000 € à melhor comunica- sobre o impacto da dor em Portugal.
ção/poster. Contamos com a vossa participação. Os actuais corpos gerentes da APED iniciaram fun-
O congresso ocorrerá durante a Semana Europeia ções em Junho de 2009. Como os mandatos são de
Contra a Dor, este ano dedicada ao tema «O Impac- três anos, facilmente se conclui que já deviam ter
to Social da Dor». Em jeito de pontapé de saída para ocorrido eleições. O histórico mostra-nos quão difícil
o tema escolhido, a Federação Europeia dos Capítu- é mobilizar os sócios para as Assembleias Gerais,
los da IASP (EFIC) levou a efeito em Bruxelas o Sim- mesmo quando estas ocorrem em locais e datas jus-
pósio Societal Impact of Pain nos dias 4 e 5 de Maio tapostas a eventos científicos em que é provável a
passado. Participaram profissionais da saúde, econo- participação de um elevado número de sócios. Por
mistas e decisores políticos, entre outros. O assunto esse motivo tomámos a decisão de prolongar os man-
em epígrafe foi intensamente debatido. Foram apre- datos até Outubro e realizar o acto eleitoral em local
sentados dados relativos à epidemiologia da dor cró- e data sobreponíveis ao Congresso – dia 16 de Ou-
nica em Portugal. A necessidade de envolver as au- tubro pelas 14 horas e 30 minutos. Pedimos descul-
toridades ligadas à saúde nos diversos países para a pa pelo abuso de confiança, mas acreditamos que
adopção de políticas integradas de combate à dor, as razões que nos movem vão merecer da vossa
foi uma das conclusões mais relevantes. Com o ob- parte a necessária compreensão. Enviem as vossas
jectivo de chamar a atenção para esta necessidade, propostas de listas para o secretariado da APED até
a IASP está a programar uma cimeira internacional 15 de Setembro.
Editorial
Sílvia Vaz Serra
ão os quero maçar muito. o que era «devia» torna-se «ser», o que era «será?»
Uma pequena explicação que é, simultane- transforma-se em «é», ou «não é». O que era dúvida
Namente, um pedido de tolerância*. torna-se conclusão, certeza. Einstein considera que o
Como certamente repararam (ou irão aperceber- tempo é uma forma de relação e Norbert Elias afirma,
se), o «tempo» do número da revista não coincide categoricamente que «o tempo não existe em si, sen-
com o «tempo real», com o instante em que escrevo do antes de tudo um símbolo social, resultado de um
estas linhas ou o momento em que alguns dos artigos longo processo de aprendizagem». Assim, o tempo
(agora publicados) foram elaborados, baseados em «real» não é um dado objectivo, é mais uma relação,
informação actualizada, do «agora». uma interligação de movimentos. A realidade é so-
Mas o que é o tempo? Qual a relação entre o saber mente o «instante» e fora disso ou é passado ou fu-
e o tempo real? Nietzsche escreveu que «a vontade turo.
de saber é a vontade de permanência e fixação» mas Obrigado.
DOR
*«A primeira lei da natureza é a tolerância – já que temos
todos uma porção de erros e fraquezas», Voltaire. 3

