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Dor (2012) 20
Editorial
© Permanyer Portugal 2012
Ricardo Pestana
Neurocirurgia como especialidade desem- um número da revista dedicado à Neurocirur-
penha desde sempre um importante papel gia.
A no tratamento da dor, devendo dar o seu Neste número, pretendi compilar alguns temas
contributo em qualquer Unidade de Terapêutica comuns a neurocirurgiões e a anestesistas ou
da Dor. Aparece na maior parte dos casos como outros especialista dedicados à Medicina da
elemento consultivo com marcada relevância, Dor, englobando para tal patologias iminente-
no entanto poucas vezes valorizada, sobretudo nos mente neurocirúrgicas, mas que são também
serviços de Neurocirurgia portugueses. muito frequentes no quotidiano de uma Unidade
Sem dúvida que esta desvalorização se deve de Terapêutica da Dor.
ao facto de, na formação em Neurocirurgia, ain- Nos seis temas desenvolvidos nesta revista,
da não ser atribuída a necessária importância à englobei várias técnicas cirúrgicas, percutâneas
terapêutica da dor, sendo na maioria das situa- minimamente invasivas e até radiocirúrgicas no
ções remetida para um plano secundário relati- tratamento da dor facial e dor neuropática cen-
vamente a patologias aparentemente mais esti- tral, não podendo obviamente deixar de integrar
mulantes e com maior desafio cirúrgico, bem uma patologia tão frequente nas Unidades de Dor
conhecidas de todos. e de complexa abordagem diagnóstica e tera-
Foi com inicial surpresa, mas sobretudo cres- pêutica para o cirurgião, como a síndrome da
cente satisfação, que desde 2007 tenho colabo- cirurgia lombar falhada.
rado com a Unidade de Terapêutica da Dor do Foi objetivo deste trabalho não repetir alguns
Hospital Central do Funchal. Posso sem dúvida procedimentos largamente descritos e discuti-
alguma afirmar, que ao longo destes últimos cinco dos em números prévios, como as técnicas mini-
anos, a aprendizagem e benefício formativo pró- -invasivas percutâneas de tratamento da dor
prio, superaram largamente o meu contributo a lombar ou a neuroestimulação medular no trata-
esta unidade, até porque já dispunha de outro neu- mento da dor neuropática. Pretendeu-se sobre-
rociurgião há vários anos. Neste campo, cedo per- tudo alertar para outras opções terapêuticas,
cebi que a minha formação foi muito reduzida e iminentemente do foro neurocirúrgico, mas que Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação.
claramente insuficiente, mas sem dúvida constituiu devem ser conhecidas de todos os que traba-
uma experiência muito gratificante no sentido lham em Dor, como por exemplo a descompres-
formativo e humano, permitindo melhor tratar são neurovascular, os procedimentos ablativos
muitos dos meus doentes. medulares, a radiocirurgia e mesmo métodos te-
Por isso, foi com enorme honra que aceitei o rapêuticos de última linha como a neuroestimu-
convite da direção da revista Dor para organizar lação central.
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