Page 17 Manual de rotação de opióides
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D. O que é a tolerância e a dependência física?

Tolerância é um “estado adaptativo pelo qual a exposição a um fármaco induz
ao longo do tempo alterações que resultam numa diminuição da resposta de
um ou mais dos efeitos desse fármaco” 15
É um fenómeno conveniente no que respeita aos efeitos adversos, que na prá-
tica clínica permite subir a dose diária dos fármacos opióides até doses analgé-
sicas eficazes e por vezes elevadas, sem efeitos adversos significativos.
Pode haver também tolerância no que se refere ao efeito analgésico que, no
entanto, é mais lenta a estabelecer-se do que a tolerância aos efeitos adversos.


A experiência de quem está no terreno no tratamento da dor com opióides é de
que a necessidade de aumentar a dose de opióides para tratar a dor é rara e,
quando se verifica, corresponde mais frequentemente à progressão da doença
e do estímulo álgico do que a uma diminuição de eficácia do fármaco opióide.
No entanto, a tolerância à analgesia pode existir e é outro aspecto a ter em
consideração na rotação opióide.


O conceito chave denomina-se tolerância cruzada incompleta e significa que
a tolerância que se desenvolveu para o opióide em uso não tem de existir em
igual grau para o novo opióide; ou seja, a tolerância cruzada entre os dois opiói-
des pode ser incompleta. 1, 11


Ao calcular a dose equianalgésica do novo opióide poderíamos subestimar a
tolerância que se desenvolveu ao antigo opióide e, ao administrar estritamente
a dose equianalgésica do novo opióide (para o qual a tolerância é incompleta),
ocorrer uma sobredosagem/overdose analgésica e um surto de efeitos adver-
sos.







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