Page 15 Manual de rotação de opióides
P. 15
Os efeitos adversos a longo prazo relacionados com a interação hormonal e
imunológica devem constituir uma preocupação clínica nos tratamentos pro-
longados e, são objecto de investigação, no sentido de identificar os fármacos
opióides de escolha neste contexto.
Os efeitos adversos dos opióides são comuns a todos os opióides e a todos os
indivíduos. A intensidade dos efeitos adversos é dose-dependente (sobretudo
relacionada com a dose inicial de opióide) e indivíduo-dependente. Tal como no
efeito analgésico há bons e maus respondedores, também nos efeitos adver-
sos há indivíduos especialmente sensíveis e outros menos “respondedores”. A
diversidade de subtipos de receptores μ e os polimorfismos genéticos acima
referidos estarão também relacionados com esta variabilidade individual.
Convém ter presente três aspetos na prevenção e tratamento dos efeitos ad-
versos:
1. Tolerância: com o tempo de exposição aos opióides (habitualmente após
72h) há tendência para uma diminuição ou desaparecimento dos efeitos
adversos (excepto talvez a obstipação); a tolerância desenvolve-se muito
mais rapidamente aos efeitos adversos do que ao efeito analgésico.
2. Prevenção: o tratamento preventivo de efeitos adversos é aconselhável
sobretudo no início do tratamento com opióides, enquanto não se
desenvolve a tolerância.
3. Titulação: ao iniciar analgésicos opióides (ou na rotação), é prudente
começar por doses mais baixas do que as supostamente necessárias,
complementando com analgesia de resgate e analgesia não opióide.
A dose diária fixa do fármaco opióide poderá ser elevada posteriormente,
se necessário. 11
15

