Page 45 Manual de rotação de opióides
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O doente e seus cuidadores devem estar informados de que vai ser realizada
uma rotação de opióides e das razões da mesma. O médico responsável por
esta alteração terapêutica deve facultar a estratégia a utilizar no controlo de
efeitos adversos e/ou agravamento da dor, assim como contacto telefónico (ou
outro), que permita ao doente esclarecer quaisquer dúvidas que possam surgir.
Uma vez tomada a decisão de realizar a rotação, devemos começar por cal-
cular a dose diária total de opióide, não esquecendo de considerar as doses
de resgate por 24h nos doentes medicados com opióide para a dor irruptiva.
De seguida, com base nas tabelas de equianalgesia, calcula-se a dose diária
total equivalente de morfina e, com base nesta, a dose total diária do novo
opióide.
Depois de calculada a dose total diária do novo opióide, esta deve ser reduzida
25 a 50%, considerando a situação clínica do doente, a dose e a duração do
tratamento com o opióide prévio.
Esta redução é feita devido à variabilidade individual, à tolerância cruzada in-
completa e considerando ainda algumas situações de risco como a idade
avançada e a insuficiência hepática e/ou renal.
As reduções maiores recomendam-se nos idosos, nas situações médicas de
grande fragilidade/debilidade (doença cardio-pulmonar, hepática ou renal se-
veras), quando a dose do opióide prévio é muito alta e quando se trata de um
doente não caucasiano (por serem mais sensíveis aos opióides). Em algumas
destas situações pode ser necessária uma segunda redução de 15 a 30%.
Sempre que for necessário fazer arredondamentos, estes devem ser feitos
para a dose mais baixa.
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