Page 41 Manual de rotação de opióides
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B. Desenvolvimento da relação equianalgésica e das tabelas de
equianalgesia
As primeiras tabelas de equianalgesia foram publicadas há mais de 40 anos,
baseadas em estudos de potência relativa, que mais não é do que a relação de
doses de opióide necessárias para a obtenção de efeitos equivalentes. As esti-
mativas de potência relativa têm não só utilidade clínica na rotação de opióides
mas, também, na investigação comparativa dos efeitos dos diferentes opiói-
des. 34
Os ensaios de potência relativa originais foram concebidos de forma a que
cada doente recebesse uma dose baixa e uma dose elevada de um opióide do
estudo, comparados com uma dose baixa e alta de um padrão, normalmente
10 mg de morfina parentérica. Eram estudos de crossover parcial, de modo
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a que cada paciente recebesse mais do que uma das doses em estudo, mas
não todas elas. Foram realizados em contexto de dor aguda pós-operatória em
doentes sem exposição prévia ou mínima a opióides ou, em doentes com dor
crónica oncológica, mas com exposição limitada a uma dose baixa de opióides
antes do estudo.
Estes critérios pretendiam selecionar uma população em que seria pouco pro-
vável o desenvolvimento de tolerância clinicamente significativa para os efeitos
analgésicos e não analgésicos do opióide em estudo. 34
As limitações destes estudos são evidentes no contexto do tratamento pro-
longado de doentes com dor crónica, muitas vezes com doses elevadas de
opióide. Os estudos de potência relativa também não têm em consideração
diferenças relacionadas com idade, sexo, raça, comorbilidades (sobretudo in-
suficiência de órgão) ou medicação concomitante. 35
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