Page 43 Manual de rotação de opióides
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C. Tabelas de equianalgesia versus tabelas de conversão de
analgésicos
Como foi referido anteriormente neste manual, as tabelas de equianalgesia e
as tabelas de conversão de opióides não devem ser confundidas ou interpre-
tadas como iguais. As tabelas de conversão são habitualmente propostas pela
indústria farmacêutica e são construídas com o objectivo da conversão para o
novo opióide proposto. Representam relações de conversão muito conserva-
doras e, como tal, não devem ser utilizadas no sentido de conversão inverso.
Numa revisão de Shaheen , foram avaliadas as diferentes tabelas de equianal-
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gesia e conversão publicadas pelas companhias farmacêuticas sobre os seus
próprios produtos, recomendadas por algumas sociedades científicas e que
constavam em materiais de formação ou em sítios da internet. Este estudo
confirmou a existência de grandes variações não só nas relações de conversão
entre opióides como, também, na rotação de via de administração do mesmo
opióide. Por exemplo, a relação entre morfina oral e morfina parentérica variava
entre 2:1 até 6:1; a relação entre morfina e hidromorfona por via oral tinha uma
variação entre 60:7,5 a 10:2,5.
O conhecimento desta realidade deve fazer-nos ter presente que há limitações
nas tabelas de equianalgesia: servem para estimar doses seguras quando uti-
lizadas na população geral, sendo que apenas constituem um dos passos na
decisão clínica de realizar rotação de opióides.
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