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programas para o diagnóstico e tratamento – Participar na elaboração dos protocolos.
de complicações. – Incentivar a colaboração de todos os pro-
– Auditorias do benefício e prejuízo na avalia- fissionais de saúde com os elementos das
ção de resultados dos métodos existentes UDA.
de tratamento e da aplicação de novas téc- – Participar na execução de técnicas analgé-
nicas. sicas (ex.: infiltração subaponevrótica).
– Investigação clínica. – Promover com precocidade métodos de re-
abilitação e mobilização.
Estrutura de uma Unidade de Dor Aguda – Avaliar os efeitos de uma analgesia inefi-
caz.
– Reconhecer os potenciais efeitos da anal-
Pessoal gesia eficaz.
As UDA devem ser formadas a partir de uma Como já referido anteriormente, os serviços
equipa multidisciplinar tendo com base aneste- farmacêuticos fazem parte da equipa multidisci-
sistas, cirurgiões, enfermeiros, farmacêuticos, plinar sendo parte das suas funções:
todos motivados e interessados no alívio da dor – Garantir a disponibilidade dos fármacos
do doente. que fazem parte dos protocolos.
A liderança desta equipa é da responsabilida- – Garantir o fornecimento dos medicamen-
de do anestesiologista, sendo várias as razões tos.
para este papel central no tratamento da dor – Garantir de forma segura o armazenamento
aguda: e distribuição dos medicamentos.
– O seu envolvimento no tratamento da dor – Disponibilidade para esclarecimentos farma-
perioperatória. cológicos e interacções medicamentosas.
– Oportunidade de iniciar tratamento preco- – Participação activa no desenvolvimento de
cemente baseado nos conceitos de plane- protocolos.
amento integrado, preemptive analgesia e
analgesia multimodal. Formação
– Observação das respostas do doente du- Da actividade das UDA deve fazer parte o
rante o período perioperatório. desenvolvimento e implementação de progra-
– Familiaridade com os fármacos (doses, mas de formação para doentes e profissionais
efeitos terapêuticos e secundários, bem de saúde.
como vias de administração) e técnicas Para os profissionais de saúde, o programa
analgésicas. educacional passa por acções de formação
– Conhecimento dos benefícios e limitações onde serão transmitidos verbalmente e por es-
das diferentes técnicas analgésicas. crito os objectivos, as actividades e os resulta-
– Tratamento dos efeitos secundários e com- dos de toda a dinâmica da unidade para que
plicações. assim todos passem a colaborar no alívio da dor
Dentro dos anestesiologistas que trabalham do doente.
nas UDA, deve ser nomeado um coordenador Para o doente, a informação deverá começar
da unidade, como em qualquer processo orga- na avaliação pré-operatória, sendo a consulta de
nizativo. anestesia o local de eleição onde se deverá
Os enfermeiros desempenham um papel-cha- iniciar. Aqui deverá ser esclarecida a importân-
ve em qualquer UDA, sendo deles que depende cia do controlo da dor, as várias opções de
toda a vigilância do doente. São eles que detec- tratamento, informação prática de como vai
tam problemas como analgesia inadequada ou transmitir a intensidade da dor (EVA ou escala
efeitos secundários em estádios precoces, quer numérica), como pode participar no plano de
pela avaliação do 5. sinal vital, quer pela moni- tratamento quando a técnica como PCA ou anal-
o
torização contínua de outros parâmetros vitais gesia epidural são usadas e esclarecimento de
como pressão arterial, pulso e frequência respi- dúvidas.
ratória. Esta informação é habitualmente verbal po-
A vigilância pelo staff de enfermagem começa dendo, no entanto, ser precedida de um folheto,
na unidade cuidados pós-anestésicos, onde num sendo fundamental que seja consistente.
estádio precoce podem ser detectados efeitos
secundários ou analgesia inadequada actuando
de acordo com protocolos. Protocolos
Esta actividade de vigilância e actuação con- As UDA são responsáveis pela elaboração de
tínua só é possível devido à existência de pro- protocolos de actuação analgésica, os quais
tocolos, formação e educação, requisitos neces- constituem garantia das condições de segurança
sários para o funcionamento das UDA. dos doentes e também da eficácia das terapêu-
O cirurgião como elemento da equipa tem ticas utilizadas.
DOR como funções: meiro de administrar analgésicos quando ne-
Estes protocolos dão flexibilidade ao enfer-
– Identificar para cada procedimento cirúrgi-
20 co a expectativa da dor. cessário.

