Page 39 Volume 17 - N.1 - 2009
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Dor (2010) 17
Quadro 2. Efeito moderador da duração da dor nos enviesamentos de sexo nos julgamentos de dor dos(as) estudantes
de Enfermagem
M (DP) F η 2
Dor aguda Dor crónica
Homem Mulher Homem Mulher
Grau de interferência 4,81 § 4,53 § 5,14 5,25 3,56 –
(0,74) (0,80) (0,78) (0,84)
Severidade/urgência da situação clínica 4,48 ‡ 3,9 ‡ 4,41 4,54 23,5 † 0,13
(0,52) (0,63) (0,66) (0,52)
Credibilidade da dor 4,97 ‡ 4,49 ‡ 4,99 5,19 12,1 † 0,07
(0,80) (0,78) (0,78) (0,84)
*p ≤ 0,05
† p ≤ 0,001
Médias em linha com símbolos iguais são significativamente diferentes para:
‡ p ≤ 0,001
§ p ≤ 0,05
unidades de prestação de cuidados de saúde de diversos estudos sobre julgamentos de
da região da Grande Lisboa. No que diz respei- dor 12,13,17,22 :
to à sua experiência profissional, no momento – Grau de interferência da dor na vida do(a)
do estudo existiam enfermeiros(as) a exercer a paciente (n = 4 itens; e.g., «Em que medida
profissão desde há um até 31 anos (M = 10,01, crê que esta dor interfere na vida familiar
DP = 6,27), em diversos serviços e especialida- deste[a] paciente?»).
des (e.g., cirurgias, medicinas, ortopedia, obs- – Credibilidade da dor (n = 2/3 itens, e.g.,
tetrícia, urgências, oncologia). «Em que medida crê que a dor deste[a]
paciente é credível?»).
Planos experimentais – Severidade e urgência da situação clínica
Ambos os estudos consistiram em planos (n = 3/4 itens, e.g., «Como avalia a gravi-
dade da situação clínica apresentada?»).
quase-experimentais intersujeitos do tipo 2 (sexo – Atribuições psicológicas (n = 3 itens; e.g., «Em
do[a] paciente) x 2 (duração da dor) x 2 (reac- que medida acha que a dor do[a] paciente é
ções de estoicismo face à dor) x 2 (sexo do[a] determinada por factores psicológicos?»).
participante). – Intenção de oferecer apoio (n = 4; e.g., «Em
que medida estaria disposto a ajudar este[a]
Variáveis independentes paciente se necessitasse de se deslo-
As três primeiras variáveis dos planos experi- car?»).
mentais acima descritos foram manipuladas De uma forma geral, em ambos os estudos,
através da apresentação de cenários escritos os indicadores utilizados apresentaram bons ín-
descrevendo um(a) paciente que recorria a um dices de consistência interna (α > 0,70).
serviço de urgências hospitalar com uma dor
lombar. O quadro 1 resume as formas de ope- Resultados principais e sua discussão
racionalização de cada uma das variáveis in- 1,14,26
dependentes através dos conteúdos dos ce- À semelhança de estudos anteriores , a
nários. primeira hipótese foi confirmada, já que na pre-
Após a leitura de um dos cenários, era pedido sença de efeitos significativos do sexo do(a)
ao(à) participante que recordasse um conjunto paciente, se verificaram enviesamentos em de-
de informações sobre o(a) paciente e a sua dor trimento da mulher. Por exemplo, os(as) estu-
(e.g, idade, sexo, duração da dor, estado emo- dantes de Enfermagem julgaram a dor da mu-
cional). Os(as) participantes que não recordaram lher (M = 4,84, DP = 0,86) como menos credível
correctamente a informação que constava no que a do homem (M = 4,98, DP = 0,79), F(1,156)
2
cenário clínico (< 15%) foram excluídos(as) das = 4,52, p = 0,04, η = 0,03, e a sua situação clíni-
respectivas amostras. ca (M = 4,23, DP = 0,67) como menos grave/ur-
gente que a deste último (M = 4,46, DP = 0,60),
2
F(1,156) = 9,75, p = 0,002, η = 0,06.
Variáveis dependentes Contudo, estes resultados devem ser lidos
DOR ticipantes deveriam julgar a dor do(a) paciente com parcimónia já que, tal como esperado (hi-
Após a leitura de um dos cenários, os(as) par-
pótese 2), os efeitos moderadores das variáveis
38 em várias dimensões, cujos itens foram adaptados relativas aos contextos foram mais salientes,

