Page 36 Volume 17 - N.1 - 2009
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S.F. Bernardes: Enviesamentos de Sexo nos Julgamentos de Dor


many studies show sex-related biases against women, many others cannot find evidence of significant biases
and still a few others have found sex-related biases against men. Therefore, how can we account for such
variability of results? It is our contention that this phenomenon is not universal, being potentially enhanced
or suppressed by context-related variables pertaining to the clinical situation, the person in pain, and the
observer. Consequently, we highlight two studies, with nursing students and trained professionals, which
aimed at analyzing the moderator role of pain duration, patients’ pain behavior, and healthcare professionals’
sex on sex-related biases in pain judgments.
Two-hundred-and-five nursing students (44.9% men) and 222 nurses (38.3% men) participated in study 1 and
2, respectively. Both studies consisted of quasi-experimental intersubject designs 2 (pain duration) x 2 (stoi-
cism reactions to pain) x 2 (patient’s sex) x 2 (observer’s sex). The first three variables were manipulated by
written vignettes depicting a man/woman going into an emergency room with low-back pain that they had
been having for three days/year. The patient presented their pain with/without stoicism. After reading one of
the scenarios, participants were requested to judge the:
– clinical severity and urgency;
– pain credibility;
– pain disability;
– psychological attributions;
– intentions of offering support.
Evidence supported the general hypothesis of the context-related sex-related biases in pain judgments. More
specifically, the presence of sex-related biases against women was only significant in acute pain scenarios,
in the presence of stoicism reactions, or when the observer was male. Reflections on the theoretical and
practical implications of such results are drawn. (Dor. 2010;17(1):34-40)
Corresponding author: Sónia F. Bernardes; sonia.bernardes@iscte.pt

Key-words: Pain judgments. Sex-related biases. Gender. Context-related. Nursing.











Introdução* 1 de dor» entre profissionais de saúde poderá
potencialmente contribuir para iniquidades no
Evidências sugerem que, ao longo das suas
vidas, as mulheres relatam sentir dores mais in- acesso aos serviços de saúde e tratamento da
tensas, com maior frequência e num maior núme- dor, parece-nos fundamental a exploração e
ro de localizações corporais que os homens 21,24 . compreensão deste fenómeno.
É sabido, ainda, existirem mais síndromes de dor Um leitor atento rapidamente poderá constatar
crónica com maior prevalência entre as mulheres que a imensa literatura sobre os enviesamentos
que entre os homens . Contudo, apesar de serem de sexo nos julgamentos de dor tem assumido
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as mulheres mais frequentemente vítimas de do- um carácter predominantemente descritivo e
res que os homens, as suas dores parecem ser «ateórico» (para uma revisão da literatura, ver
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frequentemente subvalorizadas, subdiagnostica- Bernardes ). Sem grandes preocupações de
das e subtratadas comparativamente com as conceptualização, a grande maioria dos(as)
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dores daqueles últimos . Porque a presença de autores(as) tem procurado dar resposta a uma
tais «enviesamentos de sexo nos julgamentos questão aparentemente simples: «Existirão en-
viesamentos de sexo nos julgamentos de dor
efectuados por profissionais de saúde?» Se a
pergunta parece simples, a resposta está longe
de o ser. «Sim… mas nem sempre» parece ser
*O presente artigo representa uma comunicação apresen- a resposta que emerge do vasto corpo de lite-
tada no colóquio multidisciplinar «(Con)vivências em dor:
diferentes olhares, mais perspectivas,» organizado pelo ratura que até ao momento se avoluma. De facto,
CIS, com o patrocínio científico da Associação Portuguesa embora muitos estudos sugiram a presença de
para o Estudo da Dor (APED) e financiado pela Fundação enviesamentos de sexo em detrimento da mu-
para a Ciência e Tecnologia (FCT), que decorreu no ISCTE lher 1,14,26 , alguns não verificam a presença signi-
– Instituto Universitário de Lisboa, no dia 5 de Junho de ficativa de tais enviesamentos 2,28 e ainda outros,
2009. Esta comunicação pretendeu divulgar alguns dos embora em minoria, sugerem a presença de envie-
resultados finais de um projecto de investigação financiado samentos em detrimento do homem 5,25 . Em suma,
pela FCT (PIHM/PSI/65305/2005), coordenado na sua fase DOR
inicial pela Professora Doutora Maria Luísa Lima (ISCTE/ a literatura sobre o presente fenómeno é tão vasta
CIS) e na sua fase final pela presente autora quanto aparentemente ambígua e inconclusiva. 35
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