Page 8 Volume 17 - N.3 - 2009
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D. Afonso, et al.: Avaliação Objectiva da Dor: Condutância Eléctrica Cutânea

20 10
Frequência de ocorrência 15 9
10
8
5
7
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Escala numérica de Dor 6
5
END 4
Figura 3. Frequência de ocorrência de cada valor da 3
END para as avaliações totais (88 avaliações). 2
1
0
1 2 3 4 5 6 7 8 10 11 12 14
fornecido pelo doente. Os intervalos de tempo usa- Paciente ID
dos na análise estão representados na figura 2: Primeira avaliação Última avaliação
três janelas de 15 s (duas antes do momento da
avaliação e uma após a avaliação) e o período Figura 4. Avaliação na END dos doentes à entrada e
de 15 minutos entre avaliações consecutivas. saída da UCPA (doentes 9 e 13 excluídos do estudo
por viés de confundimento).
Resultados
Foram obtidos dados relativos a 14 pacientes
(sete homens, sete mulheres, idade média de de 15 minutos foi encontrada uma tendência po-
53 ± 15,7 anos). Os dados de dois participantes sitiva entre a avaliação na END e o número de
foram excluídos por viés de confundimento. Na picos/s na condutância da pele em oito doentes,
amostra final de 12 doentes, efectuaram-se no significativa apenas em três, e encontrou-se ten-
total 88 avaliações com uma média de sete ava- dência negativa em quatro, embora não signifi-
liações por doente. Das 88 avaliações, 32 cor- cativa (Fig. 5).
respondem a ausência de dor ou dor ligeira
(END de 0-2), 34 a dor moderada (END de 3-5)
e 22 a dor intensa ou máxima (END de 6-10). Discussão dos resultados
A figura 3 apresenta a frequência de cada Os resultados obtidos neste estudo demons-
valor da END nas 88 avaliações efectuadas e a tram o tratamento eficaz da dor aguda em pós-
figura 4 apresenta as avaliações para cada do- operatório na nossa UCPA. Observamos que
ente do estudo à entrada e à saída da UCPA. quase todos os doentes deixaram a unidade
Verifica-se que apenas um doente entrou na com avaliação da dor na END inferior à apresen-
UCPA sem dor e saiu com dor (END de 3); nos tada na entrada, e quase todos com avaliações
restantes doentes a dor à saída da UCPA é sem- na END iguais ou inferiores a 3, ou seja com dor
pre inferior à avaliada à entrada. ligeira.
Na análise dos períodos de 15 s não se O acompanhamento dos doentes na dor aguda
encontrou correlação significativa entre os é essencial para o seu bem-estar e na prevenção
picos/s na condutância da pele e a avaliação de riscos associados a este fenómeno. A imple-
na END do doente. Na análise dos intervalos mentação de métodos objectivos de avaliação



Pacientes com tendência positiva Pacientes com tendência negativa
0,35 0,5
0,3 0,45
Paciente 1 0,4
0,25 Paciente 2* 0,35 Paciente 3
Picos/s 0,15 Paciente 6* Picos/s 0,03 Paciente 4
0,2
0,25
Paciente 7
Paciente 5
0,02
0,1 Paciente 10 0,15 Paciente 8
Paciente 11
0,05 Paciente 12 0,1
Paciente 14* 0,05
0 0
0 2 4 6 8 10 0 2 4 6 8 10
END END
(*significativa, p < 0,05)
Figura 5. Representação da avaliação do doente na END e o número de activações detectada pelo Stress Detector
no intervalo entre avaliações (picos/s): à esquerda doentes com tendência positiva, à direita doentes com tendência DOR
negativa (nenhuma significativa).
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