Page 13 Volume 17 - N.3 - 2009
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o suporte disponível. O instrumento permite obter de coping com a dor crónica de transformação da
dois índices distintos: o índice de percepção do dor, distracção, redução no nível de actividade,
suporte disponível ou índice numérico (SSQ6N) distanciamento e preocupação. Por fim, foram
e o índice de percepção da satisfação com o realizados coeficientes de correlação momento-
suporte social disponível ou índice de satisfação produto de Pearson, de modo a avaliar as associa-
(SSQ6S). Na presente amostra, a estrutura ções existentes entre a percepção do estado de
bifactorial é adequada (SBS-χ [51] = 100,69, saúde e as variáveis psicossociais em estudo.
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p = 0,000, χ /gl = 1,97; CFI = 0,96; RMSEA = 0,06;
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RMR = 0,11; SRMR = 0,03). Em relação à con- Resultados
sistência interna dos dois factores constituintes
do SSQ6, esta revelou-se muito boa em ambos Caracterização da amostra
os casos. Os valores de α de Cronbach situa- Não se verificaram diferenças significativas
ram-se nos 0,91 e 0,94 para o SSQ6N e SSQ6S, entre pacientes com FM e com AR em relação
respectivamente. à idade, estado civil, habilitações académicas e
situação laboral. Porém, os indivíduos do grupo
Questionário de Formas de Lidar com a Dor saudável são significativamente mais novos e
O Questionário de Formas de Lidar com a Dor também diferem nas outras variáveis sociode-
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(PCI) (Kraaimaat ; versão portuguesa: Oliveira ) mográficas. Por fim, destaque-se que os pacien-
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é um inventário de auto-relato que avalia cinco tes com FM não diferem dos pacientes com AR
estratégias de coping com a dor crónica. A pon- no que se refere à duração de sintomas, mas
tuação de cada item varia entre 1 e 4, sendo que o mesmo já não acontece em relação ao tempo
resultados superiores indicam uma maior fre- de diagnóstico, tendo tido os pacientes com
quência da utilização das estratégias de coping. FM de esperar muitos mais anos pela obtenção
As subescalas, de natureza cognitiva e compor- deste do que pacientes com AR (Quadro 1).
tamental, que constituem o questionário são as
seguintes: transformação da dor, distracção, re- Prevalência de variáveis psicossociais
dução no nível de actividade, distanciamento e
preocupação (SBS-χ [109] = 156,51, p = 0,000, Com vista a avaliar a prevalência e diferenças
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χ /gl = 1,43; CFI = 0,95; RMSEA = 0,05; RMR = significativas de variáveis psicossociais nos três
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0,06; SRMR = 0,08). Na presente amostra, as grupos procedeu-se à realização de ANOVA nas
subescalas do instrumento apresentam bons variáveis em estudo, ou seja, na percepção do
índices de consistência interna situando-se os estado de saúde, perturbação emocional, afec-
valores de α de Cronbach entre 0,72 e 0,87. tividade positiva e negativa, índice numérico e
de satisfação com o suporte social, bem como
as estratégias de coping com a dor crónica. De
Análise dos dados facto, apenas nos SSQ6N e SSQ6S não foram
O tratamento estatístico dos dados foi realiza- registadas diferenças significativas entre os
do através da versão 15.0 do SPSS. Inicialmen- grupos (Quadro 2).
te, procedeu-se ao cálculo de frequências amos- No que se refere às estratégias de coping
trais/percentagens ou médias (M)/desvios-padrão com a dor crónica (transformação da dor, dis-
(DP) no que se refere às variáveis sociodemo- tracção, redução no nível de actividade, distan-
gráficas, clínicas e psicossociais em função da ciamento e preocupação), apenas foram regis-
sua natureza categorial ou intervalar, respectiva- tadas diferenças significativas na estratégia de
mente. Foram ainda realizados testes de diferen- «preocupação» entre os grupos de pacientes
ças entre grupos (χ-quadrado, T de Student e com FM (M = 2,70, DP = 0,62) e AR (M = 2,36,
ANOVA) no que se refere às variáveis sociode- DP = 0,61), sendo que os indivíduos com FM
mográficas. Na fase seguinte, a análise explora- apresentam índice superiores de preocupação
tória dos dados revelou estarem cumpridos os na forma de lidar com a sua dor (p < 0,01).
pressupostos necessários à realização de testes Os resultados mencionados estão sintetizados
paramétricos, motivo pelo qual se procedeu à na figura 1, onde se destacam as variáveis que
realização de análises de variância univariada melhor parecem caracterizar o indivíduo com FM.
(ANOVA) com vista a determinar as diferenças Destaque-se então, por um lado, os reduzidos
existentes entre os grupos clínicos no que se níveis de percepção do estado de saúde e de
refere às seguintes variáveis psicossociais: per- afectividade positiva e, por outro lado, os elevados
cepção estado saúde, perturbação emocional, índices de perturbação emocional, afectividade
afectividade negativa, afectividade positiva, ín- negativa e preocupação na forma de lidar com
dice numérico e índice de satisfação com o su- a dor crónica.
porte social. As diferenças entre cada par de
grupos (FM/AR; FM/NO; AR/NO) foram testadas Associações entre percepção
posteriormente mediante testes post hoc de do estado de saúde e variáveis psicossociais
DOR Tukey. Foram ainda realizados testes T de Stu- Com vista a avaliar as associações entre per-
dent de forma a identificar diferenças entre os
12 grupos FM e AR no que se refere às estratégias cepção do estado de saúde e restantes variáveis
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