Page 9 Volume 17 - N.3 - 2009
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Dor (2009) 17
da dor ou desconforto do doente pode vir a ser Conclusão
utilizada continuamente, de modo a prevenir Em estudos prévios, o Stress Detector de-
situações de dor aguda atempadamente. Es- monstrou ser útil em indivíduos incapazes de
tes métodos ganham ainda mais interesse expressar dor . Os nossos resultados sugerem
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quando se trata de doentes incapazes de ex- que o Stress Detector pode ser utilizado na ava-
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pressar dor . liação da dor, mas é necessário um número su-
No nosso estudo observamos que o número perior de doentes e de avaliações. Além disso,
de activações por segundo da condutância da em doentes conscientes, factores extrínsecos à
pele pode ser utilizado como método objectivo dor originam NFSC, demonstrando que os parâ-
da medição do stress do doente, no entanto este metros fisiológicos podem ser úteis a avaliar a
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método não traduz somente episódios de dor . dor na prática clínica, no entanto, estes parâme-
Outros factores (e.g., ansiedade, náuseas) po- tros não podem ser usados de forma isolada,
dem induzir alterações nas NFSC, não exclusi- devendo ser usados de forma crítica para toma-
vamente associados a dor 11,12 e tal sucede com da de decisão.
qualquer uma das variáveis fisiológicas utiliza-
das habitualmente na avaliação do desconforto Bibliografia
do doente, e por isso devem ser utilizados de
forma crítica. Apesar de termos observado ten- 1. Rosenberg J, Kehlet H. Does effective postoperative pain manage-
dência positiva entre a END e o número de ac- ment influence surgical morbidity? European Surgical Research.
1999;31:133-7.
tivações por segundo dadas pelo Stress Detec- 2. Apfelbaum JL, Chen C, Mehta SS, Gan TJ. Postoperative pain ex-
tor em oito doentes, esta foi significativa apenas perience: results from a national survey suggest postoperative pain
em três, aliás observamos quatro doentes em continues to be undermanaged. Anesthesia and Analgesia.
2003;97(2):534-40.
que a tendência se apresentou negativa, apesar 3. Powell AE, Davies HT, Bannister J, Macrae WA. Challenge of improv-
de não significativa. Isto pode dever-se ao facto de ing postoperative pain management: case studies of three acute
existirem factores extrínsecos ao processo da pain services in the UK National Health Service. British Jornal of
Anaesthesia. 2009;102(6):824-31.
dor que podem originar NFSC conforme referido 4. Herr K, Coyne PJ, Manworren R, et al. Pain assessment in the non-
anteriormente, e portanto devem ser utilizados verbal patient: position statement with clinical practice recommen-
sempre dentro do contexto clínico. dations. Pain Management Nursing. 2006;7(2):44-52.
Além de factores extrínsecos associados a 5. Gjerstad AC, Wagner K, Henrichsen T, Storm H. Skin conductance
versus the modified COMFORT sedation score as a measure of dis-
NFSC, o nosso estudo apresenta algumas limi- comfort in artificially ventilated children. Pediatrics. 2008;122:e848-53.
tações. O número de doentes utilizados no es- 6. Ledowski T, Bromillow J, Wu J, Paech M, Storm H, Schug SA. The
tudo é reduzido, bem como o número de avalia- assessment of postoperative pain by monitoring skin conductance:
Results of a prospective study. Anaesthesia. 2007;62:989-93.
ções na END por doente, o que não permite 7. Ledowski T, Bromillow J, Paech M, Storm H, Hacking R, Schug SA.
validar o método como apresentado em estudos Monitoring of skin conductance to assess postoperative pain inten-
sity. Br J Anaesth. 2006;97:862-65.
anteriores . Durante a recolha de dados obser- 8. Walling BG. Sympathetic nerve activity underlying electrodermal and
6,7
vamos que artefactos de movimento interferem cardiovascular reactions in man. Psychophysiology. 1981;18:470-6.
nas medições da conductância da pele, factor 9. Hullett B, Chambers N, Preuss J, et al. Monitoring electrical skin
de difícil controlo em doentes acordados. conductance. A tool for the assessment of postoperative pain in
children? Anesthesiology. 2009;111:513-7.
De modo a ultrapassar as limitações do estu- 10. Storm H, Myre K, Rostrup M, Stockland O, Lien MD, Raeder JC. Skin
do, no futuro os doentes deverão ter os eléctro- conductance correlates with perioperative stress. Acta Anaesthesiol
dos estabilizados com uma banda, de modo a Scand. 2002;46:887-95.
diminuir o impacto dos artefactos de movimento, 11. Storm H, Skorpen F, Klepstad P, Stoen R, Raeder J. Genetically
variation influence the skin conductance response to nociceptive
o número de doentes deverá ser superior, bem pain in anesthetized patients. Orlando: ISAP; 2008.
como o número de avaliações na END durante 12. Tranel D, Damasio H. Neuroanatomical correlates of electrodermal
skin conductance responses. Psychophysiology. 1994;31:427-38.
a permanência na UCPA, reduzindo o tempo 13. Storm H. Changes in skin conductance as a tool to monitor nocicep-
entre avaliações. tive stimulation and pain. Curr Opin Anaesthesiol. 2008;21:796-804.


















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