Page 30 Manual de rotação de opióides
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MANUAL DE ROTAÇÃO DE OPIÓIDES



D. Mudança de via de administração

A mudança apenas de via não levanta propriamente uma questão de conver-
são e equianalgesia uma vez que se trata do mesmo opióide e apenas deve-
mos ter em conta aspetos relacionados com a eventual alteração da biodispo-
nibilidade do fármaco. Deve ser avaliado o impacto da mudança em termos de:


– Hidro-solubilidade e lipo-solubilidade que possibilitam a absorção
digestiva (a primeira) ou a absorção sublingual e transdérmica (a segunda).
– Absorção (seja ela digestiva, sublingual, subcutânea ou transdérmica).
– Efeito de primeira passagem (para a via digestiva)


Entre os opióides de absorção digestiva, pelas suas características hidrosso-
lúveis, contam-se a morfina, hidromorfona, oxicodona, tapentadol, codeína e
tramadol.
O fentanilo e a buprenorfina são lipossolúveis e por esta razão oferecem uma
boa biodisponibilidade pelas vias transdérmicas e sublingual. Não possuem
apresentações para a via oral-digestiva.



a. Via digestiva <—> via endovenosa
Entre os fármacos opióides disponíveis em Portugal com apresentações para
vias de administração diferentes, temos apenas a Morfina e o Tramadol cujo
factor de conversão de via endovenosa para via oral é de 1 para 3 (10 mg de
morfina endovenosa correspondem a 30 mg de morfina oral) e de 1 para 2,
respetivamente. A efetividade da via digestiva e absorção do fármaco deve ser
avaliada quando se opta pela via oral, a qual só é fiável se não estiver condicio-
nada (náuseas ou vómitos, oclusão ou aceleração do trânsito, colostomias no
caso de apresentações de opióides de absorção no cólon, entre outros).







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