Page 36 Manual de rotação de opióides
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MANUAL DE ROTAÇÃO DE OPIÓIDES



d) Rotação de Morfina para outros opióides:

De acordo com o que já foi abordado neste manual, a morfina possui um me-
tabolito activo, o M-6-G, cuja potência analgésica é pelo menos duas vezes
superior à do composto original. Em terapêuticas prolongadas com morfina há
acumulação do metabolito, numa quantidade que é diferente para cada doen-
te, sendo maior em doentes com insuficiência renal.


Este facto acrescenta um factor de incerteza na relação entre a dose de anal-
gésico que está a ser administrada e a analgesia obtida efetivamente, fruto da
combinação da ação da morfina e do seu metabolito.


Quando fazemos a rotação para outro opióide, principalmente em doentes
com doses altas, terapêutica prolongada e/ou insuficiência renal, a correta re-
lação equianalgésica é mais difícil de encontrar devido ao amplo intervalo de
conversão, com riscos maiores de sobre ou subdosagem do novo opióide.


Como devemos ser conservadores (ver capítulo IIID) na rotação de opióide, tor-
na-se especialmente importante o papel da analgesia de resgate, a fim de evitar
o surgimento de dor não controlada ou mesmo sintomas de privação, quando
a dose calculada do novo opióide se verifica insuficiente. 10





















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