Page 8 Manual de rotação de opióides
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MANUAL DE ROTAÇÃO DE OPIÓIDES
I. OPIÓIDES
A utilização de fármacos opióides gera na comunidade médica uma reação de
medo, que traduz e por vezes amplifica um sentimento frequente na popula-
ção. Há medos racionais e medos sem fundamento.
Entre os primeiros devem referir-se o medo do desconhecido e o sentimento
de responsabilidade profissional relacionado com um dos mais antigos e vá-
lidos princípios da medicina – primum non nocere! Este receio “cura-se” com
o conhecimento da farmacologia dos fármacos opióides e com a experiência
no seu manuseio, pois, outra atitude corresponderia a desistir deste grupo de
analgésicos que é imprescindível para o tratamento da dor moderada e inten-
sa. Na prática médica, os opióides são responsáveis por muito menos efeitos
adversos do que outros fármacos que, curiosamente, são prescritos entre nós
sem receios, em doses generosas e prolongadas, como é o caso dos Anti-in-
flamatórios não esteróides (AINEs) ou dos fármacos modificadores da coagu-
lação.
A necessidade de formação específica em fármacos opióides é grande no nos-
so país (o tema não é tratado nem na “pré” nem na pós-graduação ou espe-
cialidades médicas, de forma sistemática); apesar de ser idêntica à de outros
países com padrões evoluídos de cuidados de saúde. Num inquérito recente a
formandos em Medicina Interna nos EUA, só 20% responderam corretamen-
te a perguntas de escolha múltipla sobre analgesia opióide (três delas sobre
rotação opióide) e, mais de 50%, não sabiam converter uma dose de Morfina
endovenosa em Morfina oral.
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