Page 9 Manual de rotação de opióides
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A. Quando é adequado tratar a dor com fármacos opióides?

Seria longa a lista de citações que apontam peremtoriamente para a indica-
ção de analgesia com fármacos opióides. Há mais de uma década que esta
indicação não se restringe apenas à dor oncológica ou a situações de doença
terminal, da área dos cuidados paliativos e controlo sintomático.

Os fármacos opióides devem ser usados em situações de dor moderada
e grave, seja aguda ou crónica, independentemente da etiopatogenia e da
reversibilidade ou possibilidade de cura da lesão ou doença de base.
Desde 1986 a Escada analgésica da Organização Mundial de Saúde (OMS)
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teve o mérito de desmistificar a analgesia com fármacos opióides. Elaborada no
início para a terapêutica da dor oncológica, rapidamente os seus princípios fo-
ram adotados pelas associações científicas especializadas também no controlo
da dor de origem não oncológica 3, 4, 5 , baseando-se na eficácia demonstrada
em ensaios clínicos controlados e em revisões sistemáticas da literatura. 6, 7


No nosso país a Circular Informativa nº 09/DSCS/DP/CD/DSQC da Direção
Geral de Saúde (DGS), de 24/03/08 (sobre a utilização de medicamentos opiói-
des fortes na dor crónica não oncológica) divulgou entre todos os médicos do
SNS, não só a indicação para o uso dos opióides, como as orientações para
a sua introdução, titulação e monitorização em dor não oncológica. No âmbito
dos Cuidados de Saúde Primários será também conveniente citar as recomen-
dações da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral. 8


“Não existe qualquer base científica ou ética que legitime uma abordagem mais
conservadora no uso de opióides na terapêutica da dor crónica não oncológica
do que na dor aguda ou na dor oncológica” 9









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