Page 10 Volume 11, Número 4, 2003
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Dor (2003) 11 Rui Manuel Teixeira: O médico de família e o tratamento da dor
O médico de família e o tratamento
da dor
Rui Manuel Teixeira
Resumo
O autor começa por fazer uma introdução ao tema da dor e à sua prevalência nas consultas do médico de
família e na população.
Faz, em seguida, uma análise da situação actual do programa da dor no nosso país e discute os aspectos
positivos e negativos que o plano de luta contra a dor apresenta.
Faz por fim uma reflexão sobre a articulação entre os diferentes níveis dos cuidados e o papel do médico
de família neste plano.
Abstract
The author begins with an introduction to the pain theme and to his prevalence in the general practitioner
(GP) activity and in the population.
After that, he analize the pain program in actuality in our country and notes the advances and problems of
the Program Against Pain of the Portuguese Government.
In the last part of the article he refers the links necessary between the diferent levels of care and give his
opinion about the GP’s function in this program.
Introdução • Pode haver sensação dolorosa sem haver
qualquer alteração patológica.
Importância do tema • A relação entre a sensação dolorosa e as
A dor é um dos sintomas mais frequentes alterações físicas ocorridas é profundamen-
na consulta do médico de família. Desde as te alterada pela resposta psicológica ao
dores que acompanham as doenças osteoar- processo doloroso.
ticulares, às dores de origem visceral como Para Chapman e Bonica (1985) podemos
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as dores abdominais, como as dores de cariz definir três tipos de dor que, apesar de corres-
vascular como as enxaquecas, muitas são as ponder a uma experiência fisiológica semelhan-
apresentações deste sintoma e outros tantos te, contêm características físicas, psíquicas e
os desafios para o seu diagnóstico e trata- sociais muito diferentes: dor aguda, dor crónica
mento. benigna e dor crónica maligna. Estas são dis-
A International Association for study of the tinguidas por estes autores pela presença de
pain (IASP, 1986) definiu dor como sendo lesões actuais dos tecidos ou a sua ausência
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uma experiência desagradável quer a nível actual embora possa ter existido anteriormente.
físico como psíquico associado à estimulação Esta corresponderia à dor crónica benigna, cujo
dos terminais nervosos associados ao dano exemplo é a dor pós-herpes zoster.
real ou previsível. Apesar da dor aguda ser muito frequente não
Este tipo de definição engloba assim todos os acarreta as consequências psicológicas da dor
tipos de dores desde as oncológicas à dor do crónica. Por esse motivo não a referirei nesta
membro fantasma. Segundo Ribeiro (1998) , po- reflexão.
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demos tirar três ilações desta definição citando
Turk e Fernández (1990): Prevalência
• Danos nos tecidos podem ocorrer sem a
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percepção dolorosa. Segundo a OMS , um em cada dez doentes
idosos sofre de dor crónica. O médico de família
é normalmente a interface do sistema de saúde
com o doente, pelo que frequentemente tem que
Assistente Graduado de Clínica Geral DOR
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do Centro de Saúde de Pinhel lidar com a dor crónica. Mitchell (2003) afirma
Coordenador do Programa da Dor da SRS da Guarda que, nos EUA, 100 milhões de pessoas sofrem 9

