Page 12 Volume 12, Número 3, 2004
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Dor (2004) 12 I. França, M.T. Flor de Lima: Consumo de Opióides
Artigo de opinião
Consumo de Opióides
1
Isabel França , Maria Teresa Flor de Lima 2
Ao contactar mais de perto com a problemática do tratamen- mas apresentações de alguns opióides a aplicação dos pro-
to da dor crónica com o recurso a opióides, nos últimos três tocolos da unidade de dor aguda e as prescrições da consul-
anos, no âmbito da unidade de dor, temos encontrado dois as- ta de dor.
pectos que nos preocupam. Em primeiro lugar, alguns constran- Mantendo-se uniformizada a orientação na forma como são
gimentos que condicionam o seu uso, como sejam os custos, efectuados os registos dos serviços farmacêuticos, estes
quer para o doente, quer para as instituições, sejam os opióides vão permitir-nos, futuramente, fazer um estudo sobre os efeitos
fornecidos gratuitamente ou não. Por outro lado, a relação da da instalação da unidade de dor, desde 2001, sobre o consu-
qualidade do tratamento da dor com o consumo de opióides. mo de opióides, no hospital.
Se esta última condição está, mais ou menos aceite, a nível No âmbito desta reflexão, apresentamos as primeiras 2 figuras,
mundial, não vai ser questionada, no âmbito destas reflexões. onde é evidente o aumento do consumo de alguns opióides
Parece-nos, no entanto, que a maneira como deve ser avalia- no primeiro semestre de 2004, sendo que o consumo da
da a qualidade do tratamento da dor dos doentes, quer em morfina injectável (Fig. 3) tem vindo a diminuir, ligeiramente,
internamento, quer em ambulatório, tem muitas outras verten- nos últimos três anos, em virtude das dificuldades na imple-
tes no seu contexto bio-psico-social e no contexto profissional mentação de algumas técnicas onde são factores limitativos
e cultural em que nos encontramos. a articulação dos recursos de enfermagem.
Quando, em 2002, na revista DOR, nº 10:45-7, fizemos a Sabemos que, nos primeiros meses deste ano, duplicou o
apreciação do consumo de opióides, tentando explicar as número de doentes admitidos para primeiras consultas na
razões do seu aumento ou diminuição, comparativamente, em unidade de dor, bem como o número de atendimentos, em
vários serviços, associámos ao aumento no consumo de algu- relação ao ano completo de 2003.
Consumo de Tramadol até 30 de Junho de 2004
100.000
10.000
Unidades consumidas 1.000 2002
100
2003
2004
10
1
Tramadol Tramadol Tramadol Tramadol Tramadol Tramadol
50 mg caps. 100 mg caps. sol. oral 50 mg/ml 50 mg/ml 100 mg/ml
(1 ml) (2 ml) sup.
Formas de apresentação
Figura 1. Consumo de opióides no HDES.
1 Farmacêutica dos Serviços Farmacêuticos do HDES 2 Chefe de Serviço de Anestesiologia
Ponta Delgada, Ilha de S. Miguel. Açores Coordenadora da Unidade de Dor do HDES
Colaboradora da Equipa Multidisciplinar da Unidade de Dor (Directora do Serviço de Anestesiologia: Dr.ª Maria Rosa Leite)
Aluna do 2º Curso de Pós-Graduação de Medicina
da Dor da Faculdade de Medicina do Porto DOR
(Directora do Serviço de Anestesiologia: Dr.ª Maria Rosa Leite) 11

