Page 23 Volume 12, Número 4, 2004
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Controlos apropriados para a reactividade cru-
zada foram feitos, e esta não foi observada em 4
qualquer situação.
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Análise dos dados de imunocitoquímica
As células imunorreactivas (IR) foram conta- Intensidade da inflamação 2
das separadamente em 4 regiões diferentes da
medula espinhal (corno dorsal superficial – lâmi- 1
nas I-III, corno dorsal profundo – lâminas IV-VI,
corno ventral – lâminas VII-IX e canal central – lâ- 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
mina X), em 5 fatias não adjacentes da porção Tempo (dias)
caudal do segmento L3 e em 10 fatias não ad-
jacentes dos segmentos L4 e L5. Os resultados Figura 1. Intensidade de inflamação (média ± semana)
de todas as contagens foram avaliados para de animais monoartríticos (n = 4) antes da injecção de
cada região da medula espinhal e para cada CFA (tempo 0) e durante os 14 dias seguintes. A
grupo experimental. Foi também feita a média intensidade foi registada diariamente segundo uma
do número total (em todas as regiões da medu- escala definida por Castro Lopes, et al. (1992).
la espinhal) de células IR para as pERKs em cada
grupo experimental. Os dados foram compara-
dos estatisticamente através do teste ANOVA de
Kruskall-Wallis, seguido de um teste post-hoc conhecia qual a substância que tinha sido injec-
de Student Newman-Keuls. Foi aceite um nível de tada através do cateter. Os animais foram per-
significância de 0,05. fundidos imediatamente após os testes, as
medulas espinhais foram dissecadas e a posi-
Cirurgia e análise comportamental após injecção ção dos catéteres foi confirmada. Os resulta-
do PD98059 dos dos testes de flexão do tornozelo foram
Nestes ensaios, foram utilizados diferentes estatisticamente analisados através do método
de análise do Modelo Geral Linear para medi-
grupos de ratos monoartríticos em duas alturas ções repetidas, seguido do teste post-hoc de
distintas de doença (4 e 14 dias). Sob anestesia Bonferroni.
com medetomidina 0,025 mg/100 g e ketamina
6 mg/100 g em solução aquosa, foram implan-
tados catéteres, de forma permanente, no espa- Resultados
ço subaracnoideu lombar (ao nível do segmento Inflamação
L4) dos animais de acordo com a técnica de Os ratos injectados com soro fisiológico não
Bennett, et al. (1996) e Kerr, et al. (1999). Todas desenvolveram sinais de monoartrite e mantive-
as cirurgias foram realizadas 4 dias antes do ram-se saudáveis e com comportamento normal
teste comportamental. Além disso, todos os ani- até ao fim das experiências. Pelo contrário, ani-
mais foram habituados durante as 3 semanas mais injectados com CFA desenvolveram uma
anteriores ao teste comportamental, de modo a monoartrite estável e restrita ao tornozelo es-
minimizar os comportamentos provocados pelo querdo. Assim, ao segundo dia de inflamação,
medo e stress induzidos pelo manipulador. No era já evidente o edema do tornozelo e os ani-
dia do ensaio, os ratos foram submetidos ao mais demonstravam uma atitude defensiva em
teste de flexão do tornozelo (Butler e Weil-Fuga- relação à articulação afectada, evitando movi-
zza, 1994). Resumidamente, a articulação afec- mentar o membro afectado. Nesta altura, a pon-
tada foi sujeita a cinco flexões e cinco extensões tuação inflamatória atingiu os valores quase má-
alternadas e os movimentos de luta e vocaliza- ximos (Fig. 1).
ções foram contabilizados e registados de acor-
do com uma escala previamente definida. Um
teste de flexão do tornozelo foi realizado imedia- Activação das ERKs em neurónios espinhais após
tamente antes da injecção de 15 µl de soro fi- movimento do tornozelo inflamado
siológico (para ratos com 4 ou 14 d MA, grupo Em fatias de medula espinhal de animais in-
controlo, n = 4) ou do PD98059 (Calbiochem, jectados com soro fisiológico, quer estimulados,
UK) em solução (1 e 2 µg para os ratos com 4 quer não estimulados, não foram observadas
d e 14 d de MA, respectivamente, n = 4 por nenhumas células IR para as pERKs (Fig. 2A).
grupo experimental) através do cateter para o Em fatias de animais MA não estimulados (NE),
espaço subaracnoideu lombar. Após a injecção, poucas células pERKs-positivas foram observa-
os animais foram sujeitos a testes de flexão do das (Tabela 1, Figs. 2B e 3). A imunorreactivida-
tornozelo sucessivos, a diferentes tempos du- de foi sempre observada no corno dorsal ipsila-
rante um período de 90 min (1, 3, 5, 10, 15, 20, teral e as células imunorreactivas apresentavam
DOR 25, 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 90 min). Tanto os corpos celulares e prolongamentos celulares
com uma marcação intensa e, em alguns casos,
tornozelos inflamados como os normais foram
22 manipulados pelo mesmo manipulador, que des- também foi observada marcação nuclear.
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