Page 26 Volume 12, Número 4, 2004
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C.D. Cruz, et al.: A Estimulação Mecânica de Articulações Monoartríticas Induz Fosforilação das ERKs 1 e 2 na Medula Espinhal
Nos animais com 14 dias de MA, 1 µg de pressão de c-Fos, que também pode ocorrer no
PD98059 não produziu qualquer efeito evidente lado contralateral à estimulação, a expressão de
(dados não apresentados). No entanto, a injec- pERKs foi sempre ipsilateral ao tornozelo infla-
ção intratecal de 2 µg induziu uma diminuição mado e estimulado.
na pontuação do teste de flexão do tornozelo, a Observámos um aumento importante no nú-
qual ocorreu duma forma mais tardia e menos mero de células IR nas lâminas superficiais (I-III)
prolongada que no grupo de animais com 4 dias da medula espinhal como resposta ao movimen-
de MA, dado que as pontuações mínimas foram to da articulação inflamada. A activação das
observadas apenas entre os 25 e 50 min, com lâminas superficiais está normalmente associa-
valores mínimos de 6,7 ± 0,5 aos 40 min. Após da a mecanismos de dor aguda (Coghill, et al.,
este intervalo, os animais começaram a evitar a 1991; Porro e Cavazzuti, 1996), implicando a
manipulação, tendo a pontuação do teste de activação das ERKs no processamento da dor
flexão do tornozelo voltado aos valores iniciais. aguda ao nível espinhal. É de realçar que a
A análise estatística mostrou haver diferenças expressão de pERKs também estava aumenta-
significativas entre este grupo e o grupo con- da nas lâminas mais profundas do corno dor-
trolo (p < 0,05), mas não foram encontradas sal, onde os neurónios que estão envolvidos na
quaisquer diferenças entre os animais com 4 e sensitização central relacionada com condi-
14 dias de MA. ções inflamatórias crónicas parecem estar lo-
calizados (Lantéri-Minet, et al., 1993; Schadrack,
Discussão et al., 1998; Tölle, et al., 1995). Do mesmo modo,
Vários investigadores documentaram a activa- é sabido que a actividade metabólica neuronial
ção das ERKs por fosforilação, na medula espi- está aumentada em animais MA, quando medi-
nhal, causada por vários estímulos nóxicos (Ji, et da pelo método da 2-desoxiglucose (Schadrack,
al., 1999; Karim, et al., 2001; Galán, et al., 2002; et al., 1999). Para além disso, nesse mesmo
Pezet, et al., 2002; Galán, et al., 2003). Até agora, estudo, os aumentos na actividade neuronial
a maioria dos estudos utilizaram estimulação nó- foram mais evidentes nas lâminas mais profun-
xica aguda de patas posteriores não inflamadas, das (lâminas V-VI) do corno dorsal ipsilateral da
e existe apenas uma situação descrita de activa- medula espinhal de ratos com 14 dias de MA,
ção das ERKs após estimulação visceral (Galán, que foram submetidos ao estímulo da flexão do
et al., 2003). No entanto, nenhum estudo foi ainda tornozelo inflamado (Schadrack, et al., 1999),
feito sobre como as condições inflamatórias cró- correlacionando-se este facto com a expressão
nicas podem afectar a activação das ERKs, na aumentada de c-Fos (Schadrack, et al., 1998)
medula espinhal, induzida por estímulos nóxicos, e com a activação das ERKs 1 e 2 observada
ou como o uso de inibidores das ERKs podem neste trabalho. Curiosamente, foi detectado um
influenciar o comportamento de animais com dor aumento da actividade das ERKs (este traba-
crônica inflamatória. lho) mas não da expressão de c-Fos (Schadrack,
et al., 1998), no corno ventral e no canal central
Activação das ERKs na medula espinhal após de ratos com 7 e 14 dias de MA estimulados.
estimulação de tornozelos normais Do mesmo modo, a actividade metabólica neu-
e monoartríticos ronial estava aumentada nas mesmas regiões
da medula espinhal, em ratos MA de 14 dias
Neste estudo, ratos a diferentes tempos após submetidos a estimulação mecânica semelhan-
injecção de CFA apresentaram activação das te à que foi realizada neste estudo (Schadrack,
ERKs 1 e 2 após serem submetidos a um estí- et al., 1999).
mulo mecânico (flexão de tornozelo), que pre- Como foi discutido acima, as neurotrofinas são
tende similar uma condição fisiológica (o movi- reguladores importantes da activação das ERKs
mento de caminhar). Além disso, ratos com após ligação aos receptores tirosina cínase. Na
exactamente o mesmo tempo de MA, mas que poliartrite, a activação aumentada das ERKs
não foram submetidos ao estímulo, não apresen- pode estar relacionada com um aumento de ex-
taram um número significativo de células marca- pressão do NGF e do seu receptor (Pezet, et al.,
das para as pERKs 1 e 2. Outros estudos já 1999; Pezet, et al., 2000). Além disso, o factor
demonstraram a expressão de c-Fos na medula neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), outra
espinhal de ratos com tempos semelhantes de neurotrofina importante, também pode dar um
monoartrite (Schadrack, et al. 1998; Castro, et contributo significativo para o aumento da acti-
al., 1999). No nosso caso, à medida que a do- vidade destas cínases. A activação selectiva do
ença progrediu, foi observado um número cada seu receptor, receptor tirosina cínase B (TrkB),
vez maior de células pERKs positivas induzidas por estímulos nóxicos (Pezet, et al., 2002) ou por
pelo estímulo. Isto está em contraste com a ex- ligação do BDNF, induz a activação das ERKs.
pressão de c-Fos em resposta a um estímulo Em condições de dor neuropática crónica, os
térmico nóxico, a tempos semelhantes, em que níveis de BDNF estão aumentados (Ha, et al.,
se verifica um aumento inicial seguido de uma 2001; Miletic e Miletic, 2002) e foram implicados DOR
diminuição dos núcleos positivos para c-Fos na hiperalgesia inflamatória em ratinhos (Groth
(Schadrack, et al., 1998). Contrariamente à ex- e Aanonsen, 2002). Logo, o BDNF poderá estar 25
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