Page 8 Volume 13 - N.4 - 2005
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Dor (2005) 13 A. Pereira, D. Antunes: A Dor no Recém-nascido
A Dor no Recém-nascido
Aires Pereira e Delfina Antunes 2
1
Resumo
Medir um fenómeno dinâmico, complexo e subjectivo como é a dor, não é uma tarefa fácil, especialmente
naqueles cujo desenvolvimento psicomotor não lhes permite a sua comunicação verbal.
A dor exige atenção e tratamento independente da sua causa original, pelo que o seu controlo surge como
uma prioridade na melhoria da qualidade de vida do recém-nascido. Embora na última década se tenha
verificado um interesse crescente pelo estudo da dor, ainda existe tendência para a subestimar.
Palavras-chave: Dor. Reconhecimento. Avaliação. Tratamento.
Abstract
To measure a dynamic phenomenon, complex and subjective like the pain is not an easy work, especially in
those that the psychomotor development doesn’t permit the verbal communication.
The pain requires attention and independent treatment in spite of own aetiology, and so, the pain control
appears like a priority of newborn quality life.
Although in the last ten years, we verify a crescent interest on study of pain, still exists a minimize ten-
dency.
Key words: Pain. Recognition. Evaluation. Treatment.
Introdução – A dor, pelo seu carácter multidimensional,
A dor no recém-nascido apresenta-se como pode ser influenciada pelos factores do am-
sintoma patológico a tratar no âmbito da assis- biente.
tência neonatal. Na elaboração deste trabalho, – O uso apropriado do ambiente e de inter-
propomo-nos a atingir os seguintes objectivos: venções não-farmacológicas previne, reduz
– Aprofundar conhecimentos teóricos sobre ou limita a dor no recém-nascido em muitas
dor em Pediatria. situações clínicas.
– Identificar métodos de avaliação da dor. – Os profissionais são responsáveis pela uti-
– Conhecer métodos de tratamento da dor. lização dos melhores recursos no controlo
– Implementar uma escala de avaliação da dor. da dor.
– Contribuir para os cuidados médicos e de – Os pais devem ser envolvidos no reconhe-
enfermagem. cimento, avaliação e tratamento da dor.
– A comunicação interprofissional favorece o
controlo da dor.
Princípios gerais – A construção de guias de boas práticas
– Reconhecer que o recém-nascido sente dor. influencia as atitudes mais correctas.
– Reconhecer que o prematuro, pela imaturi-
dade do seu sistema nervoso, é mais sen- Avaliação da dor
sível à dor que o adulto.
– Um tratamento adequado da dor está asso- Estando conscientes de que a dor é conside-
o
ciado a uma diminuição de complicações rada o 5. sinal vital, esta deve ser documenta-
clínicas e diminuição da mortalidade. da, considerando os factores fisiológicos, com-
portamentais e ambientais.
Existe uma variedade de escalas de avaliação
da dor, não sendo estas no entanto 100% fidedig-
1 Assistente Graduado de Pediatria nas, estando sujeitas a uma certa subjectividade.
com a subespecialidade de Neonatologia O recém-nascido, particularmente o que está
2 Enfermeira Especialista em Neonatologia
Hospital Pedro Hispano internado numa UCI, está sujeito a múltiplas e, DOR
ULS Matosinhos EPE por vezes, repetidas agressões (estímulos visu-
Matosinhos, Portugal ais, auditivos, tácteis, punções, intubação endo- 7

