Page 9 Volume 13 - N.4 - 2005
P. 9
Dor (2005) 13
traqueal, ventilação mecânica, aspiração de Pele: observar coloração e estado.
secreções, etc.), para além da dor que deriva – Palidez ou rubor.
da sua própria patologia (processos inflamató- – Diaforese.
rios, enterocolite necrosante, hipertensão intra- – ↑ sudorese palmar.
craniana, etc.). Tem-se verificado uma falta de Outras observações (alterações neurovegeta-
sensibilização para este problema no RN, entre- tivas):
tanto, são realizados todos os procedimentos – ↑ do tónus muscular.
que, em nome da ciência, do progresso e do seu – Pupilas dilatadas.
bem-estar, se consideram necessários, não ha- – ↓ do tónus nervoso vagal.
vendo por vezes a preocupação necessária com – ↑ da pressão intracraniana.
a dor que estes possam provocar. Evidências laboratoriais de alterações meta-
Os efeitos secundários do tratamento intensivo bólicas ou endócrinas
só há pouco tempo começaram a ser conside- – Hiperglicemia (stress metabólico).
rados. A dor é sempre nefasta para o RN, do – ↓ do pH (lesão celular).
ponto de vista comportamental, metabólico e fi- – Corticóides endógenos aumentados (stress
siológico. metabólico).
Dor é definida pela Associação Internacional
para o Estudo da Dor, como «sendo uma expe- Respostas comportamentais de dor aguda
riência sensorial e emocional desagradável as- no recém-nascido
sociada a uma lesão real ou potencial de algum Vocalizações: observar qualidade, duração e
tecido». Prevenir e tratar a dor é um imperativo ocasião do:
ético, uma condição inalienável dos cuidados de – choro, gemido, grito.
saúde para um crescimento e desenvolvimento Expressões faciais: observar características,
harmonioso da criança. A avaliação válida e se- ocasião, orientação dos olhos e boca:
gura da dor é a primeira condição para se atin- – Face de sofrimento.
gir essa meta. – Franzimento das sobrancelhas.
O controlo da dor no RN é um desafio que – Tremor do queixo.
requer uma equipa bem treinada no conheci- – Olhos bem fechados.
mento da fisiologia, e de todo o processo de – Boca aberta e de forma quadrangular.
avaliação e controlo terapêutico. Assim, o seu Movimentos e posição do corpo:
reconhecimento e quantificação efectivos são as – Afastamento dos membros.
variáveis essenciais para conseguirmos um tra- – Batimento dos braços.
tamento adequado. – Rigidez.
A dor que se encontra relacionada com os – Flacidez.
cuidados e actos de diagnóstico e terapêuti- – Punho cerrado.
cos deve ser reconhecida, prevenida e tratada. – Alterações nos ciclos de vigília/sono.
A avaliação da dor no RN é assim um dos mais – Alterações no comportamento do apetite.
importantes desafios actuais da Neonatologia, – Alterações no nível de actividade.
uma vez que existe uma certa dificuldade em – Irritabilidade, desinteresse.
dispor de um instrumento confiável e reprodutível Estas alterações são, no entanto, transitórias
que a mensure. Para tal, recorre-se às avaliações e revelam a capacidade do RN saudável recu-
comportamentais (ocorrência e frequência de al- perar da dor. No RN prematuro e/ou doente, o
terações no comportamento, desencadeadas menor procedimento pode causar uma alteração
pela dor) e fisiológicas (monitorizam a resposta fisiológica aguda.
orgânica do RN ao estímulo nociceptivo). A dor por tempo prolongado pode afectar o
Na avaliação comportamental, são avaliadas sistema imunológico.
alterações que possam estar relacionadas com
respostas motoras, mímica facial, choro, ciclo Diagnóstico
sono-vigília, relação da díada mãe-filho. Exis-
tem várias escalas às quais podemos recorrer A informação laboratorial pode-nos apoiar na
para efectuarmos este estudo. avaliação da dor, através do doseamento de al-
gumas parâmetros, dando-nos uma ideia do
stress a que o RN está submetido:
Manifestações fisiológicas de dor aguda – Catecolaminas.
no recém-nascido – Cortisol.
Sinais vitais: observar as variações (↑ cateco- – Hormona de crescimento.
laminas). – Glucagon.
– ↑ frequência cardíaca. – Etc.
– ↑ pressão arterial.
– ↑ respiração rápida e pouco profunda. Estratégia de avaliação
DOR Oxigenação – Apresentar a escala de avaliação da dor à
equipa, tendo por base a exemplificação e
– ↑ PaO (aumento do consumo de O ).
2
8 – ↑ PaC0 (hiperventilação). 2 discussão de casos práticos.
2

