Page 8 Volume 16 - N.1 - 2008
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Dor (2008) 1 J.M. Caseiro: Dor Aguda Não-Cirúrgica: Reflexões
Dor Aguda Não-Cirúrgica: Reflexões
José Manuel Caseiro
Resumo
A denominação de dor aguda tem-se apropriado da representação da dor pós-operatória pela forma como a
dor provocada pela intervenção cirúrgica se ajusta perfeitamente à definição veiculada pela International
Association for the Study of Pain (IASP).
Há, no entanto, múltiplas outras formas de dor aguda, seja como resultado de acidente (trauma, queimadura),
infecção (odontalgia, abcesso), doença súbita (enfarte agudo do miocárdio, litíase renal) ou agudização de
doença crónica (dor irruptiva), colocando a sua terapêutica, na esmagadora maioria das vezes, no âmbito
dos Serviços de Urgência e, ao contrário da dor pós-operatória, com a sua causa ainda não tratada.
As situações que mais frequentemente fazem os doentes recorrer aos Serviços de Urgência por sintomato-
logia dolorosa são analisadas neste artigo, discutindo-se as razões que levam a ser muitas vezes subtratados,
e dando-se ênfase ao importante papel que os anestesiologistas poderão ter nesta área pela experiência que
detêm da abordagem da dor no doente operado.
As Unidades de Dor Aguda poderão assim, como modelos organizativos que procuram a excelência na
abordagem da dor aguda pós-cirúrgica, ver alargado o seu campo de acção, estendendo-o à formação de
clínicos que lidam nos Serviços de Urgência com a dor aguda não-cirúrgica.
Palavras-chave: Dor aguda. Urgência. Agudização. Organização. Formação.
Abstract
The designation of acute pain has been appropriate representation of the postoperative pain by how the pain
caused by surgical intervention fits perfectly the definition provided by IASP.
However, there are many other forms of acute pain, whether as a result of an accident (trauma, burns), infection
(toothache, abscess), sudden illness (acute myocardial infarction, renal lithiasis) or worsening of chronic
disease (breaktrough pain) providing their therapy, the overwhelming majority of cases, as part of the emergency
services and, unlike the post-operative pain, with their cause not yet addressed.
The situations that make patients more often resorting to emergency services by painful symptoms are
discussed in this article, like the reasons for often under treatment, by giving emphasis to the important role
that anesthesiologists may have in this area as a result of their experience of dealing in pain in the patient
operated.
The Acute Pain Services may well as organizational models that seek excellence in addressing the acute
post-surgical pain, see broadened its scope, extending it to the training of clinicians who deal in emergency
services in no surgical acute pain. (Dor 2008;16(1):7-11)
Corresponding author: José Manuel Caseiro, jcaseiro@ipolisboa.min-saude.pt
Key words: Acute pain. Urgency. Breaktrough pain. Organization. Training.
Assim que foi definida pela IASP como «uma em qualquer sintoma: a existência de uma cau-
dor de início recente e de provável duração li- sa directa, o conhecimento de quando ocorreu
mitada, havendo normalmente uma identificação e a expectativa do seu desaparecimento com
temporal e/ou causal», imediatamente a noção de a cessação, o afastamento ou a eliminação da
dor aguda ficou ligada à sua caracterização sin- referida causa. Ou seja, prevalecendo a lógica
tomática, englobando tudo o que está implícito de que, tratada a causa, desaparecerá o sin-
toma.
Estava assim feita a distinção com outras for-
mas de dor, nas quais a mesma tende a persis-
tir e a ganhar autonomia própria, transformando- DOR
Director do Serviço de Anestesiologia se em doença e fazendo-se acompanhar por
IPOLFG-EPE, Lisboa outros sinais de morbilidade, nem sempre com 7

