Page 11 Volume 16 - N.1 - 2008
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Dor (2008) 1
– Aumento das necessidades analgésicas
pelo carácter hipermetabólico da situação. Quadro 2. Dor aguda reumatológica e inflamatória
– Possibilidade de desenvolvimento de hipe- Doença articular aguda
ralgesia como consequência da utilização Inflamatória
de elevadas doses de opióides. Infecção
Cristal
Dor aguda cardiovascular Exacerbação de inflamação crónica
Não-inflamatória
Outra situação que requer especial cuidado, Osteoartrose sintomática
Osteonecrose
muito especialmente no diagnóstico diferencial, Hemartrose
já que são bastantes as vezes em que a dor Dor mecânica (incluindo a degenerescência
não é referida à zona pré-cordial (abdominal, intra-articular)
torácica, etc.).
Cardiopatia isquémica/enfarte agudo do mio- Dor aguda não-articular
Inflamatória
cárdio (EAM), pericardite aguda, vasculopatia Infecção (bursite, celulite)
arterial periférica e trombose venosa profunda Não-inflamatória
são as mais comuns. Tendinopatia
Mecânica
Neuropática (entrapment nervoso, dor referida ou
Agudização de dor crónica regional)
É muito comum os doentes com dor crónica
surgirem com processos álgicos agudos, reflec-
tindo alguma descontinuidade do controlo anal- incapacitantes, independentemente de se en-
gésico a que habitualmente estão submetidos. contrarem ou não medicados.
Há várias razões a justificá-lo, e a maior parte M. Cohen propõe a taxonomia no quadro 2
das vezes os doentes procuram e conseguem para caracterizar a agudização álgica dos do-
obter solução junto das Unidades de Dor onde entes reumatismais.
são tratados, a menos que o problema surja fora
dos normais horários de funcionamento. Dor aguda de diversas situações clínicas
Nos doentes oncológicos, é comum a neces- dolorosas
sidade de reajustamento das dosagens de opi-
óide por agravamento da doença (por exemplo, Evidentemente que os doentes também recor-
a «dor do final de dose») ou o aparecimento de rem aos Serviços de Urgência por outros tipos
dor incidental (dor desencadeada pelo movi- de manifestações álgicas não necessariamente
mento, tosse ou pressão), mas a situação que graves (pequenos traumatismos ou queimadu-
mais leva estes doentes aos Serviços de Urgên- ras, feridas, etc.) ou relacionadas com situações
cia, sem esperarem pelo normal horário de aten- clínicas diversas que ocorrem com dor.
dimento nas unidades onde são tratados, é o Pela sua importância, referem-se:
aparecimento de dor irruptiva (dor de apareci- – Herpes zoster agudo.
mento brusco, muitas vezes intolerável, em do- – Neuropatias diversas, com destaque para a
entes que se encontram medicados e controla- diabética.
dos com opióides). – Doenças hematológicas (a drepanocitose é
É obrigatório que os clínicos dos Serviços de a mais comum, mas os doentes hemofílicos
Urgência conheçam e saibam lidar com a dor também recorrem aos Serviços de Urgência
irruptiva, pois ela pode surgir em doentes que por dor intra-articular ou muscular hemorrá-
já cumprem doses elevadas de opióides, o que gica).
pode embaraçar um clínico menos avisado e – Dor relacionada com infecções (abcessos,
que se sinta inibido em dar mais opióide a quem odontalgias, odinofagias, otalgias, etc.).
já faz bastante. Independentemente da natureza das situa-
ções de dor aguda que levam os doentes a
Dor aguda reumatológica e inflamatória procurar o médico e os Serviços de Urgência,
as armas que se exigem para a combater não
A prevalência de dor reumatismal na popula- diferem das que se utilizam em qualquer outra
ção, bem como a diversidade de terapêuticas forma de dor, mas que devem ser do conheci-
que se adoptam para tratamento destes doen- mento geral dos clínicos que com ela lidam:
tes, associadas à enorme variação de gravidade – Capacidade de diagnóstico.
de cada doença e entre as várias doenças, do – Conhecimento dos diversos tipos de dor
recurso a médicos de diferentes especialidades, – nociceptiva (somática ou visceral), neu-
a outros profissionais de saúde e à dificuldade ropática e psicogénea, bem como das ne-
de resposta dos sistemas de saúde para o nú- cessidades básicas da abordagem das
mero de doentes afectados, leva a que uma mesmas.
DOR elevada percentagem destes doentes recorra – Conhecimento dos fármacos analgésicos e
adjuvantes disponíveis, bem como o que
aos Serviços de Urgência para verem soluciona-
10 dos problemas de agudização mais ou menos deles se pode esperar e em que situações

