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J.M. Caseiro: Dor Aguda Não-Cirúrgica: Reflexões
e tipos de dor faz sentido utilizá-los e regras alívio e tornando-nos mais atentos e mais
a obedecer sempre que se associam. exigentes.
– Conhecimento das diferentes formas de ad- A experiência que os anestesistas detêm no
ministração de fármacos e noção de quan- alívio da dor aguda pós-operatória, adquirida
do a elas se deverá recorrer. pela sua formação e pela prática diária de a
– Conhecimento dos diferentes efeitos secun- controlar nos doentes operados, faz deles os
dários dos medicamentos mais utilizados únicos especialistas com este tipo de competên-
no combate à dor e da forma de os contra- cia, podendo-se considerar um grave desperdí-
riar ou combater. cio para qualquer sistema de saúde não apro-
– Discernimento sobre o momento em que veitar essa capacidade e colocá-la ao serviço
deve ser procurado o apoio de um perito ou dos doentes, bem como ao serviço de outros
enviar o doente a um local especializado clínicos ou outros profissionais de saúde na sua
com maior capacidade de resposta (Unida- formação e treino pós-graduado.
des de Dor). A formação adquirida durante a obtenção da
Fica bem claro que é vasta a panóplia de si- especialidade tem permitido que sejam também
tuações de dor aguda que fazem os doentes os anestesistas a estar na génese da criação e
recorrer aos Serviços de Urgência e às consultas desenvolvimento das Unidades de Dor Crónica,
de Clínica Geral ou das diversas especialidades onde o recrutamento multidisciplinar de outras
e, a menos que se tratem de fenómenos de especialidades acaba por facultar a todos os
agudização de dor crónica, muitos destes doen- envolvidos a aquisição de competências na
tes poderão nunca ter acesso a uma unidade abordagem da dor.
especializada no tratamento da dor, nem tão- O aparecimento e desenvolvimento das mo-
pouco a consultas onde a capacidade de agir dernas Unidades de Dor Aguda, sob coordena-
sobre ela seja sobreponível à de diagnóstico e ção dos anestesistas, constituem um importan-
tratamento da doença de base. tíssimo, mas esquecido, palco para que os
Os Serviços de Urgência e os doentes pagam profissionais de saúde que desejem ou necessi-
muito cara esta factura. tem adquirir competências na utilização de anal-
O percurso a seguir terá que necessariamente gésicos, opióides ou não-opióides e das suas
incluir várias vertentes: formas de administração, possam treinar nesses
– Maior investimento no ensino da Dor nas aspectos e conviver com os diferentes – e por
Universidades, para melhorar a formação vezes graves – efeitos secundários e a melhor
de médicos e enfermeiros nesta área, a sua forma de sobre eles agir.
atitude mental e cultural perante o sofrimen-
to humano causado pela dor e despertar- Bibliografia utilizada e/ou recomendada
lhes maior atenção para o problema.
– Proporcionar formação pós-graduada em Alliaga L, Baños JE, Barutelli C, Molet J, Rodriguez de la Serna A. Tratamien-
to del Dolor, Teoria y Pratica. 2.a ed. Publicaciones Permanyer; 2002.
Dor a médicos e enfermeiros. Benzon HT, Raja SN, Molloy RE, Liu SS, Fishman SM. Essentials of Pain
— Maior investimento nas Unidades de Dor. Medicine and Regional Anesthesia. 2.a ed. Elsevier; 2005.
– Maior utilização e melhor aproveitamento Caseiro JM. Organização da Analgesia do Pós-Operatório. Biblioteca da
Dor. Publicações Permanyer Portugal; 2005.
nos Serviços de Urgência, da capacidade Català E, Alliaga L. Manual de Tratamiento del Dolor. Publicaciones Per-
e do conhecimento dos anestesistas na manyer; 2003.
abordagem da Dor. Core Curriculum for Professional Education in Pain. 3.a ed. International
Association for the Study of Pain Press; 2005.
– Formação e adequação cultural de gesto- Rowbotham DJ, MacIntyre PE. Acute Pain, Clinical Pain Management.
res e administradores de saúde para os Arnold; 2003.
aspectos negativos da dor, de forma a en- Shipton AS. Pain, Acute and Chronic. Arnold; 1999.
tenderem como são urgentes e prioritárias Staats PS. Interventional Pain Management. Anesthesiology Clinics of North
America, Dec 2003. W.B. Saunders Company.
as respostas das estruturas de saúde nesta Torres LM, Elorza J, Gomez-Sancho M, et al. Medicina del Dolor. Masson,
área. SA; 1997.
– Maior divulgação, junto da sociedade civil, Weiner RS. Pain Management, A Practical Guide for Clinicians. 5.a ed. CRC
Press; 1998.
da importância do combate à dor, do direi- Warfield CA, Fausett HJ. Manual of Pain Management. 2.a ed. Lippincott
to que todos possuímos em exigir o seu Williams & Wilkins; 2002.
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