Page 25 Volume 18 - N.4 - 2010
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Dor (2010) 18


A abordagem da dor aguda deverá envolver todos os elementos
da equipa de profissionais de saúde responsável pelo cuidado do
Responsabilidade doente. O papel desempenhado por cada elemento desta equipa
multidisciplinar, bem como as suas responsabilidades deverão
estar perfeitamente identificados. A Unidade de Dor Aguda é
responsável por assegurar que todos os elementos da equipe
possuam treino e competências adequadas.


Antecipação A dor deve ser antecipada, sempre que possível. O planeamento
da analgesia pós-operatória deve ter início no período pré-operatório
e ser realizado de acordo com a avaliação do doente, nomeadamente
a sua história prévia de dor, as suas necessidades e as características
dos protocolos locais.
Estas 5 etapas devem
ser consideradas como O plano analgésico perioperatório deve ser discutido e partilhado por
um processo contínuo todos os membros da equipa multidisciplinar. Os objectivos do tratamento
Discussão
e as opcões terapêuticas disponíveis devem ser discutidos também com
o doente.


A dor deve ser avaliada e documentada regularmente, do mesmo modo que
os outros sinais vitais. A avaliação da dor na unidade hospitalar deve ser
Avaliação uniformizada, mediante a utilização de uma escala aplicável à maioria
dos doentes.



A resposta deve ser rápida e utilizar um regime analgésico multimodal,
Resposta de modo a optimizar a abordagem da dor aguda e minimizar a ocorrência
de efeitos laterais.

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Figura 3. Recomendações-chave do projecto RADAR (traduzido e adaptado de The RADAR Approach ).



à criação de unidades de dor aguda, mas também que devem integrar a educação profissional em
a materialização das estratégias de formação dos dor 29,30 , podem orientar a definição dos temas a
profissionais de saúde e informação dos doentes, abordar nos diferentes cursos, nomeadamente
determinadas pelo mesmo documento. Medicina, Medicina Dentária, Enfermagem, Far-
mácia, Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupa-
cional, de modo a preparar adequadamente os
Formação dos profissionais de saúde seus formandos para a abordagem da dor.
A aquisição e actualização de conhecimentos No que respeita à formação pós-graduada, é
sobre dor é uma responsabilidade que deve ser indispensável o patrocínio científico as ordens
partilhada pelas instituições de ensino, de pres- profissionais nas estratégias de educação, for-
tação de cuidados e pelos profissionais de saúde, mação e ensino essenciais ao desenvolvimento
individualmente. de boas práticas, nos diversos contextos de in-
No sentido de ultrapassar barreiras ao trata- tervenção profissional.
mento da DPO, é imprescindível incentivar a A inclusão da dor nos temas de formação
formação específica dos profissionais de saúde obrigatória dos internatos médicos de Cirurgia,
envolvidos nos cuidados perioperatórios e, pa- Cirurgia Vascular, Ortopedia, Obstetrícia e Gine-
ralelamente, investir na melhoria da formação cologia, Urologia, Medicina Interna, Reumatolo-
básica em dor no ensino pré- e pós-graduado gia, Endocrinologia, Oncologia, Neurologia, Me-
de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisiote- dicina Física e de Reabilitação, Psiquiatria e
rapeutas e psicólogos. Medicina Geral e Familiar poderá colmatar a
Em relação ao ensino pré-graduado, impõe-se lacuna identificada na preparação destes profis-
sensibilizar os responsáveis dos cursos superio- sionais relativa à abordagem do doente com dor.
res que formam profissionais de saúde para a Nos internatos das especialidades cirúrgicas
necessidade de incluir a dor como tema obriga- deverá ser dado particular ênfase à abordagem
DOR tório nos respectivos planos de estudos. As re- da DPO.
As iniciativas internacionais atrás menciona-
comendações da International Association for
24 the Study of Pain (IASP), relativas aos conteúdos das (projectos APOP e RADAR) sugerem que a
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