Page 26 Volume 18 - N.4 - 2010
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G. Dores: Ensino da Analgesia Pós-Operatória em Portugal – A Actualidade e Propostas Para o Futuro
melhoria da formação profissional contínua espe- dos profissionais de saúde relativamente à abor-
cífica para a abordagem da DPO poderá passar dagem da DPO, as quais aliadas à insuficiente
pela definição de uma estratégia apoiada em dois informação do doente poderão afectar negativa-
tipos de acções de formação, com objectivos mente a abordagem da DPO.
diferentes mas complementares. A melhoria da qualidade da abordagem da
A melhoria dos conhecimentos básicos dos DPO impõe a adopção de programas de informa-
profissionais de saúde relativos à abordagem da ção/educação dirigidos aos profissionais de saú-
dor em geral e da DPO, em particular, poderá de, sensibilizando-os para a importância de uma
ser conseguida através do desenvolvimento de adequada abordagem da DPO, mas também
programas de informação/ensino/formação diri- aos doentes, alertando-os para a necessidade
gidos a um leque alargado de destinatários (mé- de reportar a dor e incentivando à sua partici-
dicos, enfermeiros, farmacêuticos, etc.) e cuja pação activa no processo terapêutico.
implementação deverá ter um carácter nacional, As estratégias de formação desenvolvidas e
visto que as informações por eles veiculados implementadas com sucesso na Austrália e no
importam a todos os profissionais de saúde en- Reino Unido poderão dar um contributo impor-
volvidos no cuidado do doente submetido a ci- tante para o planeamento da formação dos pro-
rurgia. Este tipo de formação poderá contemplar fissionais de saúde e informação dos doentes
a transmissão de conceitos gerais tais como a portugueses relativa à abordagem da DPO.
importância da adequada avaliação e registo da
DPO, aspectos relacionados com a prescrição e Bibliografia
administração de analgesia de modo eficaz e se-
guro e a relevância da monitorização na identi- 1. White PF, Kehlet H. Improving postoperative management. What are
the unresolved issues? Anesthesiology. 2010;112:220-5.
ficação e controlo dos efeitos adversos dos anal- 2. Cousins MJ, Brennan F, Carr DB. Pain relief: a universal human right.
gésicos. A implementação de um programa Pain. 2004;112(1-2):1-4.
deste tipo poderá, a exemplo dos projectos an- 3. Liu SS, Wu CL. Neural blockade: impact on outcome. Em: Briden-
teriormente descritos, basear-se na utilização de baugh PO, Carr D, Horlocker T, Cousins MJ, eds. Neural Blockade
in Clinical Anesthesia and Pain Medicine. 4. ed. Filadélfia: Wolters
a
instrumentos pedagógicos simples (apresenta- Kluwer, Lippincott, Williams & Wilkins; 2008.
ção de diapositivos, cartazes, folhetos informati- 4. Chapman CR, Tuckett RP, Song CW. Pain and stress in a systems
vos) e utilizar o suporte das novas tecnologias da perspective: reciprocal neural, endocrine, and immune interactions.
J Pain. 2008;9(2):122-45.
comunicação (internet) para facilitar a sua aces- 5. Kehlet H, Dahl JB. Anaesthesia, surgery, and challenges in postop-
sibilidade, reduzindo, deste modo, o investimento erative recovery. Lancet. 2003;362:1921-8.
em recursos humanos e materiais que a execução 6. Kehlet H, Jensen TS, Woolf CJ. Persistent postsurgical pain: risk
factors and prevention. Lancet. 2006;367:1618-25.
de uma tarefa desta envergadura implica. 7. Macrae WA. Chronic post-surgical pain: 10 years on. Br J Anaesth.
Esta formação básica terá, necessariamente, 2008;101(1):77-86.
que ser complementada por outra, realizada a 8. Liu SS, Block BM, Wu CL. Effects of perioperative central neuraxial
nível local, adaptada às características de cada analgesia on outcome after coronary artery bypass surgery: a meta-
analysis. Anesthesiology. 2004;101:153-61.
unidade hospitalar (tipos de cirurgia realizados, 9. Carli F, Schricker T. Modification of Metabolic Response to Surgery
fármacos e técnicas analgésicas disponíveis, by Neural Blockade. Em: Bridenbaugh PO, Carr D, Horlocker T,
protocolos de administração) e às especificidades Cousins MJ, eds. Neural Blockade in Clinical Anesthesia and Pain
a
Medicine. 4. ed. Filadélfia: Lippincott, Wolters Kluwer, Lippincott
dos doentes que cuida. Estas actividades de Williams & Wilkins; 2009.
formação devem envolver todos os elementos 10. Carli F, Mayo N, Klubien K, et al. Epidural analgesia enhances
da equipa multidisciplinar e multiprofissional functional exercise capacity and health-related quality of life after
colonic surgery: results of a randomized trial. Anesthesiology.
(anestesiologistas, cirurgiões, fisiatras, psiquia- 2002;97(3):540-9.
tras, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, 11. Basse L, Raskov HH, Jakobsen DH, et al. Accelerated postoperative
psicólogos e outras especialidades médicas ou recovery programme after colonic resection improves physical per-
grupos profissionais, de acordo com as especi- formance, pulmonary function and body composition. Br J Surg.
2002;89(4):446-53.
ficidades da unidade hospitalar) responsável 12. Kehlet H, Wilmore DW. Evidence-based surgical care and the evolu-
pelo cuidado do doente cirúrgico e ser coorde- tion of fast-track surgery. Ann Surg. 2008;248:189-98.
nadas pela unidade de dor aguda. 13. White PF, Kehlet H, Neal JM, Schricker T, Carr DB, Carli F. The role
of the anesthesiologist in fast-track surgery: From multimodal analge-
sia to perioperative medical care. Anesth Analg. 2007;104:1380-96.
Informação do doente 14. Apfelbaum JL, Chen C, Mehta SS, Gan TJ. Postoperative pain ex-
perience: Result from a national survey suggest postoperative pain
Uma vez que a insuficiente informação dos continues to be undermanaged. Anesth Analg. 2003;97:534-40.
doentes relativamente à DPO é, também, um 15. Benhamou D, Berti M, Brodner G, et al. Postoperative Analgesic
factor responsável pelo seu inadequado trata- Therapy Observational Survey (PATHOS): A practice pattern study
in 7 central/southern European countries. Pain. 2008;136:134-41.
mento, importa melhorar os conhecimentos dos 16. Pozza DH, Caseiro JM, Azevedo LF, Barata NE, Costa Pereira A,
doentes, famílias e/ou cuidadores relativos à dor Castro Lopes JM. Estudo epidemiológico prospectivo e multicên-
e à sua abordagem. trico sobre dor aguda pós-operatória em Portugal - resultados pre-
liminares [internet]. Outubro de 2010 [acesso em 15 de Março de
2011]. Disponível em: http://www.google.pt/#hl=pt-PT&xhr=t&q=Est
Conclusão udo+epidemiol%C3%B3gico+prospectivo+e+multic%C3%AAntrico
&cp=49&pf=p&sclient=psy&site=&source=hp&rlz=1R2SUNC_pt-PT
Poder-se-á dizer que, actualmente, em Portu- PT368&aq=f&aqi=&aql=&oq=Estudo+epidemiol%C3%B3gico+pros DOR
gal, é possível identificar várias fragilidades no en- pectivo+e+multic%C3%AAntrico&pbx=1&fp=683fc96.
sino da dor e, mais especificamente, na formação 17. American Medical Association. Continuing Medical Education - 25
Pain Management [internet]. Group, Healthcare Education Products

