Page 27 Volume 17 - N.2 - 2009
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Dor (2009) 17
Ausência de Dor Pior Dor Possível
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Figura 1. Escala visual numérica.
Não dói Dói um Dói um Dói um Dói Dói
pouquinho pouco pouco mais muito muito muito
1 2 4 6 8 10
Figura 2. Escala das faces.
problemas como a dor, as necessidades bá- Para ajudar a classificar a dor, existem muitas
sicas de higiene, nutrição e conforto da escalas, mas as duas que se seguem são as
criança, valorizando-a e dignificando-a como que pode utilizar mais facilmente com o seu fi-
pessoa. lho. Qualquer dúvida, contacte os profissionais
Desta forma a família pode sentir-se mais uni- de saúde.
da, quer entre si quer junto da equipa de saúde, 1. Escala visual numérica: é uma linha horizon-
e desse modo minimizar o sentimento de de- tal graduada de 0 a 10, onde 0 significa ausên-
samparo. cia de dor e 10 a pior dor possível (Fig.1).
Seguem-se uma série de indicações que po- 2. Escala das faces: tem seis faces com ex-
derão funcionar como conselhos práticos, com pressões diferentes em que se pede à criança
vista ao melhor ajustamento possível a esta fase para escolher a face que melhor identifica a sua
da doença por parte das famílias envolvidas tan- dor (Fig. 2).
to no seu conjunto como a nível individual. Estes
conselhos, resultantes de conclusões dos espe- O que deve fazer
cialistas em cuidados paliativos e da nossa pró- – Para controlar a dor existem vários tipos de
pria experiência, não devendo ser encarados medicamentos, que serão escolhidos e re-
como absolutos. Cada família e cada um dos ceitados de acordo com a dor que o seu
seus membros deverá procurar as práticas que filho diz que tem.
melhor se adequam ao seu próprio problema.
– O médico vai receitar medicação para ser to-
mada a horas certas e outra para ser tomada
Cuidar do seu filho doente – dor nos intervalos se mesmo assim tiver dor (em
A dor pode ser um dos principais problemas SOS). Anote sempre que der um medicamen-
do seu filho. to em SOS (Quadro 1).
Nem sempre é possível fazer com que a dor – Um dos medicamentos utilizados quando a
desapareça completamente, por vezes apenas dor é muito forte é a morfina:
se consegue melhorá-la. Controlar a dor leva o • Pode ser dada em xarope ou comprimido
seu tempo, podendo ser necessários vários ou aplicada através de um adesivo no peito.
ajustes da medicação. • Não tenha medo deste medicamento, pois
Todas as informações fornecidas à equipa de nesta situação o seu filho não vai ficar
saúde podem ajudar a escolher a melhor forma dependente nem vai deixar de respirar.
de actuar. Pergunte ao seu filho: • Efeitos secundários (podem ser controla-
– Onde dói? dos com medicação):
– Dói muito? (Utilize as escalas de dor.) § Prisão de ventre.
– O que fez aparecer a dor? § Sonolência (experimente bebidas com
– O que agrava a dor? O que alivia? cafeína para contrariar este efeito).
– Quando começou? § Náuseas e vómitos.
DOR – Quanto tempo dura? – Deve programar as actividades e cuidados
§ Prurido.
– Com que frequência aparece?
26 – Como é? para quando a medicação está a fazer efeito.

