Page 33 Volume 17 - N.3 - 2009
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Dor (2009) 17
a diminuição do consumo de analgésicos no sugerindo doses ou regimes terapêuticos . No
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pós-operatório . pós-operatório de histerectomia, a utilização pe-
Quando a cetamina é administrada em doses rioperatória de dextrometorfano (quatro tomas
subanestésicas com opióides, é reduzida a inci- de 30 mg por via oral) associou-se a diminuição
dência de efeitos adversos relacionados (psico- da dor e aumento do intervalo de tempo até
cognitivos, sedação e depressão respiratória), utilização da primeira dose de morfina, mas ape-
apresentando uma incidência global semelhante nas no recobro, não se mantendo o efeito às 6
à resultante da utilização isolada de opióides . e 24 horas do pós-operatório .
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Quando utilizada em PCA com opióides, os efei-
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tos secundários não existiram ou foram ligeiros .
As alterações psicocognitivas induzidas pela ce- Magnésio
o
tamina são o efeito adverso mais frequente e O magnésio é o 4. catião mais abundante no
o
uma das principais preocupações para quem a organismo e o 2. a nível intracelular. Quando
utiliza como analgésico, podendo ocorrer em estudado em modelos de dor humano e animal
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cerca de 10% dos doentes . Por ordem decres- apresentou acção antinociceptiva 79,80 . A sua ac-
cente de incidência descreveram-se sonhos ção como antagonista fisiológico natural do cál-
agradáveis, alucinações, alterações visuais e cio e o antagonismo não-competitivo que exerce
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pesadelos . A sua ocorrência relaciona-se direc- no NMDAr podem ajudar a explicar este facto.
tamente com as doses utilizadas, sendo mínimos Nos últimos anos, o seu papel como adjuvante
para doses inferiores a 2,5 μg /kg/min ou cerca na analgesia pós-operatória foi estudado por di-
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de 200 a 300 mg em 24 horas . São raras no versos autores. Em revisão sistemática sobre a
doente submetido a anestesia geral. No doente utilização perioperatória de magnésio por via
acordado podem ser prevenidas, mantendo um endovenosa, Lysakowski, et al. referem que ape-
ambiente calmo e com pouca luz ou recorrendo nas 29% dos estudos demonstraram diminuição
à administração de benzodiazepinas. da dor pós-operatória e em 57% deles houve
uma diminuição do consumo de analgésicos no
pós-operatório, nomeadamente de morfina, mas
Dextrometorfano sem diminuição dos efeitos secundários asso-
Foi desenvolvido por G. Schnider e aprovado ciados a este fármaco . Os autores concluíram
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como agente antitússico pela Food and Drug que não existia evidência convincente de efeitos
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Administration (FDA) em 1958, indicação que analgésicos benéficos . Estas limitações po-
mantêm até hoje. É um isómero dextrogiro do dem resultar da insuficiente penetração do mag-
levorfanol, análogo da codeína, que pode ser nésio na barreira hematoencefálica, impedindo
administrado por via oral, intramuscular ou en- concentrações eficazes no líquido cefalorraqui-
dovenosa. É metabolizado, por um mecanismo diano . Apesar de vários estudos recentes de-
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de primeira passagem hepática, em dextrorfano, monstrarem o contrário 83-87 , a evidência continua
que é farmacologicamente activo. O seu com- a afirmar que o magnésio por via endovenosa
portamento como antagonista não-competitivo não reduz a dor aguda pós-operatória e não tem
dos NMDAr motivou, nos últimos anos, inúmeros efeito na analgesia preventiva 44,45 .
estudos sobre a sua eficácia no tratamento da Surgiram, também, diversos estudos sobre a
dor aguda pós-operatória. Com base em revi- utilização do magnésio em anestesia/analgesia
sões sistemáticas, existe evidência da sua eficá- locorregional. Em estudo com animais, a admi-
cia na analgesia preventiva, principalmente nistração intratecal resultou na potenciação da
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quando administrado por via endovenosa e pro- acção antinociceptiva dos opióides . Associou-se
vavelmente associada à capacidade em dimi- a um aumento da duração da analgesia, quando
nuir a tolerância induzida pelos opióides mas, administrado com fentanilo, na analgesia do tra-
não tem efeito na analgesia preemptiva 15,44 . Em balho de parto . Em grávidas submetidas a ce-
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revisão sistemática recente, Duedahl, et al. des- sariana sob bloqueio subaracnoideu, a asso-
tacam o aumento significativo do intervalo de ciação de sulfato de magnésio com bupivacaína
tempo até ao pedido da primeira analgesia de e fentanilo ou morfina melhorou a qualidade e
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resgate e diminuição significativa da administra- prolongou a analgesia pós-operatória, sem
ção suplementar de opióides, na maioria dos aumentar a incidência dos efeitos secundários.
estudo com administração parentérica e em me- Contudo, estes efeitos não foram obtidos quan-
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tade dos que utilizaram a via oral . Este facto do foi administrado apenas com bupivacaína,
resulta da reduzida biodisponibilidade do fárma- em estudo com população semelhante . Em ci-
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co por via oral devido ao rápido efeito de primei- rurgia ortopédica major, a administração combi-
ra passagem hepática, o que obriga a múltiplas nada intratecal (94,5 mg) e epidural (100 mg/h)
tomas no perioperatório. Os mesmos autores reduziu significativamente o consumo de anal-
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concluem que o fármaco possui potencial para gésicos no pós-operatório . Quando adicionada
ser um adjuvante seguro da analgesia pós-ope- (50 mg) a bupivacaína e fentanilo em bloqueio
DOR ratória baseada em opióides, mas que a consis- subaracnoideu, para artroscopia do joelho,
tência dos seus efeitos analgésicos e de «pou-
aumentou a duração do bloqueio e o tempo
32 pador» de opióide deve ser questionada, não necessário para deambulação mas, apesar de

