Page 38 Volume 17 - N.3 - 2009
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J. Jesus, et al.: Impacto de Opióides Major em Dor Crónica não-Oncológica
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Feminino
Masculino 8
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Figura 1. Distribuição por sexo. 4
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Pat. Doença Doença Dor Dor
®
do SF-36v2 Health Survey (SF-36v2). Foi utilizado o osteoarticular vascular autoimune neuropática fantasma
Mini-Mental State (MMS) para determinação da função
cognitiva e o teste Addiction Behaviors Checklist (ABC)
para detecção de sinais de adição/dependência. Figura 2. Patologia associada.
Resultados
Foram avaliados 20 doentes, dos quais oito eram anterior ao inquérito, revelou-se que em todas as áreas
do sexo masculino e 12 do sexo feminino (Fig. 1). (actividade geral, disposição, capacidade de andar a
A média de idades era de 60,85 anos (~61 anos), pé, trabalho normal, relações com outras pessoas,
tendo o doente mais novo 37 e o doente mais idoso sono e prazer da vida) foi em média de 4,6. Em valo-
80 anos de idade. res abaixo de 5, a dor não é considerada como tendo
Em relação ao estado civil, a maioria eram casados interferência relevante na vida diária dos doentes.
(55%); 30% viúvos, 10% solteiros e 5% divorciados. O SF-36v2 avalia a qualidade de vida diária do
Quanto à escolaridade, um doente não sabe nem ler doente, tendo em conta o seu estado de saúde. São
ou escrever; um doente sabe ler ou escrever; 11 fre- determinantes: a capacidade funcional, aspecto físi-
quentaram a escola primária; quatro doentes têm o co, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos
o
sexto ano de escolaridade; dois doentes têm o 9. Ano sociais, aspecto emocional e saúde mental. Estes
e um doente tinha formação pós-graduada. itens são reagrupados em estado físico e mental do
A principal causa de dor era a patologia osteoarti- doente. Valores inferiores a 45 significam uma quali-
cular (70%), seguida da doença vascular (15%). Ou- dade de vida abaixo da média. Quanto ao estado fí-
tras possíveis causas eram doença neurológica, auto- sico, 90% dos doentes têm uma má qualidade de
imune e dor de membro-fantasma (Fig. 2). vida; 75% dos doentes têm também, no que diz res-
Setenta e cinco por cento dos doentes encontra- peito ao estado mental, uma qualidade de vida abai-
vam-se medicados com fentanilo e 15% com bupre- xo da média (Fig. 4).
norfina, ambas transdérmicas. Apenas um doente
fazia morfina de libertação retardada por via oral e Discussão
outro morfina por via intratecal (Fig. 3). Os doentes com dor crónica não-oncológica repre-
A medicação de resgate foi prescrita somente em sentam um grande problema de saúde, afectando uma
25% dos doentes, destes 15% faziam paracetamol e significativa parte da população. Para além do sofri-
10% morfina de libertação rápida. mento, estes doentes têm baixa produtividade laboral
Todos os doentes faziam terapêutica adjuvante far- e são consumidores frequentes de consultas .
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macológica, dos quais 95% faziam ansiolíticos, 60%
anticonvulsivantes e/ou 50% antidepressivos.
Quarenta e cinco por cento dos doentes não tinham
patologia associada para além daquela que os levava
à consulta da dor. As patologias mais frequentes eram 15%
doença cardiovascular e diabetes mellitus.
No que diz respeito à avaliação da função cogniti- 5%
va, apenas um doente tinha uma ligeira disfunção
cognitiva (MMS). O teste ABC também só detectou 5%
um doente com possíveis problemas de adição.
Através do teste BPI obtivemos a avaliação da dor Fentanil TD
numa escala de 0 a 10. Em média os doentes referiam Buprenorfina TD
uma dor mínima de 3,4; dor média de 4,5; dor máxima Morfina LR
de 6,3 e dor actual de 4,4. Dois doentes não referiam 75% Morfina i. tecal
melhoria nenhuma com o tratamento com opióides, sen- DOR
do a média de alívio da dor de 50%. Por último, a ava- Figura 3. Opióides administrados.
liação da interferência da dor na vida diária na semana 37

