Page 17 Volume 18 - N.4 - 2010
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Estudos in vitro demonstram que o nimesulide (1,35%) foram obtidos por Nettis, et al. numa
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provoca uma inibição preferencial da COX-2 . população de 148 doentes submetidos a pro-
Estes dados estão de acordo com a eficaz acti- vocação oral com a mesma dose cumulativa
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vidade anti-inflamatória do fármaco associada a deste fármaco . Sánchez Borges, et al. publi-
uma melhor tolerância gastrintestinal e suportam caram uma série de 110 doentes em que veri-
a sua utilização em doentes com hipersensibili- ficaram uma maior frequência de reacções po-
dade a AAS/AINE 34,35 . sitivas (17,3%), quando submetidos a provocação
Nos últimos anos foram realizados diversos oral com uma dose cumulativa de 15 mg de melo-
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estudos com o objectivo de avaliar a tolerância xicam . Num estudo realizado em Portugal, 13 das
ao nimesulide em doentes com reacções ad- 68 provocações orais realizadas com meloxicam
versas a AAS/AINE. Os vários estudos, efectu- em doentes com hipersensibilidade a AINE foram
ados com provas de provocação oral, têm re- positivas (19%) . Em geral, podemos concluir
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velado entre 69 a 100% de tolerância ao que entre 81 e 100% dos doentes com hipersen-
nimesulide 2,35,36 . Se a população adulta tem sido sibilidade a AAS/AINE tolera o meloxicam 44,45 ,
amplamente estudada, pelo contrário escas- apresentando este fármaco resultados mais fa-
seiam estudos em idade pediátrica. No entanto, voráveis que o nimesulide.
neste grupo etário o nimesulide revela particular
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interesse como alternativa terapêutica , estan-
do aprovada a sua utilização em crianças com Inibidores selectivos da COX-2
idade igual ou superior a 12 anos, contrariamen- Desde a introdução dos coxibes, têm sido re-
te ao meloxicam e aos coxibes. alizados vários estudos controlados que têm
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Bianco, et al. , num estudo com provas de demonstrado que em doses terapêuticas estes
provocação oral em dupla ocultação, verificaram fármacos não apresentam reactividade cruza-
que todos os 20 doentes com asma induzida por da com AAS/AINE, pelo facto de não inibirem
AAS toleraram o nimesulide na dose de 100 mg. a COX-1. Os coxibes constituem uma alterna-
Numa posterior avaliação, três desses doentes tiva terapêutica eficiente em doentes com do-
desenvolveram asma ligeira após a administra- ença respiratória exacerbada pela aspirina ou
ção de 400 mg de nimesulide. Destaca-se pela com urticária associada (Quadro 2).
dimensão da amostra (429 doentes), o estudo O primeiro composto a ser utilizado foi o ce-
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efectuado em 1994 por Andri, et al. , com pro- lecoxib, aprovado pela Food and Drug Adminis-
vas de provocação oral em ocultação simples, tration (FDA) em Dezembro de 1998. Seguiu-se
na dose de 200 mg de nimesulide, no qual se o rofecoxib, o parecoxib, o valdecoxib e o etori-
verificou uma tolerância de 96,7%. Um estudo coxib. Por pouparem a COX-1, os coxibes foram
realizado em Portugal aponta para uma tolerân- introduzidos como uma nova classe de AINE de
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cia em 71,5% dos doentes sensíveis ao AAS . eficácia equivalente e menor índice de compli-
Nos doentes com hipersensibilidade a AAS/AINE, cações gastrintestinais.
recomenda-se, quando indicado, a prescrição de Alguns autores defendem tratar-se de uma al-
nimesulide em doses não superiores a 5 mg/kg/dia ternativa segura, demonstrando tolerância em
(dose total diária não superior a 200 mg). 99 a 100% dos doentes com hipersensibilidade
a AINE . No entanto, reacções de hipersensibi-
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lidade a múltiplos AINE incluindo coxibes têm
Meloxicam sido descritas , pelo que a avaliação de tolerân-
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O meloxicam é um inibidor preferencial da cia a estes fármacos em doentes com hipersen-
COX-2 (Quadro 2). Este AINE em doses baixas sibilidade a AAS/AINE deve ser efectuada por
(7,5 mg) inibe preferencialmente a COX-2, mas ini- prova de provocação sob vigilância médica 11,46 .
be também a COX-1 de uma forma dose depen- Gyllfors, et al. 47 avaliaram a tolerância ao ce-
dente em doses mais elevadas. lecoxib 400 mg em 33 doentes com DREA; os au-
Os estudos efectuados, com doses diárias de tores verificaram que nenhum dos indivíduos
7,5 e 15 mg de meloxicam, revelaram uma efi- reagiu e que não ocorreram alterações nos ní-
cácia anti-inflamatória e analgésica equivalente veis do LTE urinário durante a prova de provo-
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à de outros AINE habitualmente utilizados na cação com o celecoxib.
prática clínica, tais como piroxicam, diclofenac Igualmente, Nettis, et al., em 182 doentes sub-
e naproxeno, na terapêutica da osteoartrose, da metidos a provocação oral com uma dose cumu-
artrite reumatóide e de outras doenças reumato- lativa de 25 mg de rofecoxib, não observaram
lógicas 38-40 . Verificou-se também uma melhoria qualquer reacção. Avaliaram ainda a tolerância
da tolerância gastrintestinal e renal, com doses a este fármaco a longo prazo, após três anos,
equipotentes destes AINE 38,39 , justificado pela tendo verificado que, dos 131 doentes reexpos-
inibição preferencial da COX-2. tos, apenas sete (5%) referiram reacções cutâ-
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Quarantino, et al. estudaram 177 doentes com neas ao rofecoxib .
hipersensibilidade a AINE, que foram submeti- Sánchez Borges, et al., num estudo compara-
DOR dos a provocação oral com dose cumulativa de tivo entre diferentes inibidores da COX-2, de-
7,5 mg de meloxicam, com apenas duas reac-
monstraram uma frequência de intolerância ao
16 ções positivas (1,1%) . Resultados semelhantes celecoxib de 33,3% e ao rofecoxib de 3% .
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