Page 13 Volume 18 - N.4 - 2010
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Dor (2010) 18
Fosfolípidos de membrana
Ácido araquidónico
Via lipoxigenase Via cicloxigenase
5-lipoxigenase (5-LO) Cicloxigenase (COX)
LTA
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LTA hidrolase LTC sintetase COX-1 COX-2
4
4
LTB Cys-leucotrienos Inibição PGE Prostaglandinas inflamatórias
4 2
LTC , LTD , LTE 4 PGI 2 PGD 2
4
4
PGF 2
Quimiotaxia e Aumento da permeabilidade Inibição da libertação de Inflamação, dor, febre
activação de vascular, hipersecreção de Cys-leucotrienos,
neutrófilos muco, broncoconstrição inibição broncoconstrição
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Figura 2. Principais mecanismos de acção envolvidos na hipersensibilidade a AAS/AINE (modificado de Jenneck, et al. ).
alterações no metabolismo do ácido araquidó- e posteriormente confirmada numa população co-
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nico e que a administração destes fármacos reana . Na urticária induzida pela aspirina, foi
induz uma resposta inflamatória crónica na mu- encontrada uma associação com os alelos
cosa nasal e brônquica. Ocorre forte inibição HLA-DRB1 1302 e HLA-DQB1 0609 .
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da COX-1, desequilíbrio COX-1/COX-2 e acen- A patogenia da resposta inflamatória cutânea
tuada diminuição da produção de prostaglan- aos AINE é ainda mais controversa, tendo sido
dina E (PGE ). A PGE é sintetizada sobretudo sugerido que os metabolitos da COX possam
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pela acção da isoenzima COX-1 e tem impor- não desempenhar um papel importante no seu
tante actividade anti-inflamatória, com acção desenvolvimento. Das várias teorias que têm
reguladora na inibição da síntese de leucotrie- sido propostas, uma das mais aceites sugere
nos e na libertação de mediadores pelos mas- que o AAS e outros AINE induzem, nos indivídu-
tócitos e eosinófilos. Observa-se, ainda, uma os sensíveis, reacções cutâneas (urticária/angio-
diminuição da expressão e alterações funcio- edema) e/ou anafilácticas, por uma activação
. Foi
nais da COX-2 nas células epiteliais destes do- inespecífica de mastócitos e eosinófilos 4,11
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entes (Fig. 2) . também proposto que, ao contrário da asma, os
Szczeklick sugere que a inflamação respira- mecanismos mediados por IgE poderiam ter mais
tória na hipersensibilidade ao AAS poderá ser importância na patogénese da urticária/angioe-
causada por uma infecção viral crónica latente dema e anafilaxia induzidos pelos AINE 4,11 . Neste
com produção de linfócitos citotóxicos especí- caso, as reacções são específicas de um deter-
ficos . A actividade destes elementos é habi- minado fármaco, independentemente da sua
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tualmente suprimida pela PGE ; quando a su- inibição preferencial ser COX-1 ou COX-2. Este
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pressão é removida pelos AINE, os linfócitos mecanismo mediado por IgE tem sido descrito
actuam nas células infectadas pelo vírus, liber- em algumas reacções imediatas ao diclofenac,
tando mediadores de inflamação que provoca- paracetamol, aspirina e, particularmente, com
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riam a crise asmática. derivados pirazolónicos, como o metamizol .
A existência de um componente genético tem
também sido proposto. Foi encontrada uma ex- Reactividade cruzada
pressão aumentada de HLA-DPB1 0301 em in-
DOR divíduos com doença respiratória exacerbada tividade cruzada com o AAS, relacionada com a
Os AINE que inibem a COX apresentam reac-
pela aspirina. Esta associação foi descrita pela
12 primeira vez numa população polaca em 1997 concentração requerida para a inibição da enzima
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