Page 23 Volume 11, Número 4, 2003
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Dor (2003) 11
vidade. Expressa passividade e conformismo. experiências partilháveis e criativas. Oferece-se
Na segunda parte do jogo, onde é suposto a oportunidade de se resgatar a identidade do
expressar o corpo liberto de dores, a paciente doente, ajudando a ter maior liberdade de se
coreografa bailando com os braços, embala e ser quem é. Ajudando também que o sujeito
entrega-se. No final, espontaneamente, aproxi- não tenha só lugar na dor, mas que possa ter
ma-se da mulher mais idosa do grupo e cuida-a lugar na relação viva e amorosa, que possa
projectando a sua relação com a sua mãe. O ter lugar no futuro.
rosto de Maria ganha expressão e alguma vita- Termino com Àlvaro de Campos:
lidade, comentando, no final da sessão, que a “Os antigos invocavam as musas.
solidão e a dependência têm sido as maiores Nós invocamo-nos a nós mesmos.”
responsáveis do agravamento das dores.
Este exemplo serve para dar uma ideia do Bibliografia
meu trabalho na unidade de dor, onde se Corian SW, Diamond AW. Controlo da dor. Climepsi 1997.
trabalha o corpo à revelia, porque clivado da Fleming M. Dor sem nome - Pensar o sofrimento. Afrontamento 2003.
história do sujeito. Faz-se um trabalho onde se Melzack R, Wall P. O desafio da dor. Fundação Calouste Gulbenkian
1989.
contém as dores indizíveis e se transformam em Pontalis JLL. Entre o sonho e a dor. Lisboa: Fenda 1999.
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