Page 27 Volume 11, Número 4, 2003
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Dor (2003) 11 Maria Madalena Martins e Maria Graça Travanca: A caminho do cuidar em enfermagem… Um outro olhar à pessoa com dor
A QUEM?............................... Em todos os doentes de cirurgia programada nas primeiras 48 h
QUANDO?.............................. No “acolhimento” explicar a escala do VAS e a sua finalidade
Mostrar a escala VAS
Estratégia de abordagem: perguntar e registar a maior
COMO?................................... experiência dolorosa vivida
(Dor máxima 10 ––– Sem dor 0)
PERIODICIDADE.................... Avaliar e registar o VAS, pelo menos, uma vez por turno
ONDE SE REGISTA ............. Nas notas de enfermagem – coluna de observações
(onde já anteriormente se registavam sinais vitais em SOS)
MODO DE AVALIAÇÃO Após um mês de vivência, análise dos registos no processo
DAS DECISÕES .................. clínico pela responsável pela formação
Quadro 3. Avaliar e registar a dor como 5º sinal vital (12/10/2000)
• O doente e família percebem o nosso em- • Construção e afixação, em local de grande
penhamento para ter a menor dor possível, circulação, de um quadro com informação
facilitando a confiança na equipa. sobre a avaliação da dor.
• Dá-se visibilidade às práticas de cuidados O confronto individual e do grupo com os
de enfermagem. resultados (Quadro 4) obriga a mudanças de
A monitorização do processo de mudança representações entre o que desejamos e o que
em curso surge como uma necessidade de fazemos, sendo a tomada de consciência um
partilha de dificuldades, ganhos e de reajusta- elemento essencial para a tomada de consciên-
mentos das estratégias. Foi formativa e transfor- cia das práticas (Couceiro, 1998).
madora, ao induzir uma postura reflexiva convi- Naturalmente, começam a surgir dúvidas con-
dando o grupo a construir as suas próprias cretas, que nunca se tinham colocado e que são
decisões em função dos doentes com dor, um indício do impacto progressivo do próprio
da prática, das cooperações possíveis, dos processo de formação, por exemplo:
recursos e limites do serviço e instituição, • Qual é o VAS aceitável? Quando é que o
dos obstáculos previsíveis ou encontrados doente está bem analgesiado?
(Perrenoud, 2002). • Administram-se os analgésicos mesmo
A implicação na tomada de decisão res- quando o doente não tenha dor? E se esti-
ponsabilizou os enfermeiros na aplicação dos ver a dormir?
sucessivos e regulares reajustamentos estraté- • Quando reavaliar o VAS?
gicos. O carácter progressivo da introdução das Actualmente, sentimos que estão ultrapas-
mudanças traduziu-se em: sadas, pois aprendemos a torná-las princí-
• Aplicar o VAS a todos os doentes e ao longo pios fundamentais da nossa acção e com
de todo o internamento. sentido para nós. Para tal contribuiu também
• Explicar a escala de dor no acolhimento ao a formação que informalmente, ou para todo
doente e registar o seu VAS 10. o grupo, foi colmatar as necessidades sen-
• Avaliar a dor do doente, simultaneamente à tidas.
avaliação dos outros sinais vitais, em todos
os turnos, e proceder ao seu registo. Resultados obtidos
• Avaliar e registar a eficácia da analgesia em A avaliação do impacto deste projecto para
SOS. os enfermeiros teve por base a análise de con-
• Uniformizar a linguagem científica dos regis- teúdo das respostas à pergunta:
tos de enfermagem, abolindo termos pouco
científicos como “muito queixoso”, “com
pouco efeito”. Qual o sentido e valor deste projecto na tua prática
• Incluir o VAS como linguagem científica nas de enfermeiro?
DOR • Usar o VAS como comunicação interdiscipli- que o objectivo imediato do projecto foi atingido, DOR
Como resultado os enfermeiros reconheceram
passagens de turno.
26 nar. a dor do doente passou a ter mais valor para 27

